PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024
Uma mulher de 81 anos com histórico de hipertensão, diabetes mellitus, fibrilação atrial e obesidade chega ao pronto-socorro com dor abdominal de início agudo, náuseas, vômitos e hematoquezia. As cirurgias anteriores incluem uma apendicectomia laparoscópica. A lista de medicamentos do paciente inclui Coumadin, mas ela admite ter perdido algumas doses na última semana. No exame físico, a paciente está se contorcendo de dor, mas seu abdome está flácido, levemente sensível a palpação e não distendido. A contagem de leucócitos é de 21.000/µL e lactato de 3,5 mmol/L. A radiografia de abdome é normal. A angiotomografia computadorizada demonstra ausência de fluxo distal à origem da Artéria Mesentérica Superior (AMS). Qual é a provável etiologia da oclusão da AMS?
Dor abdominal súbita + FA + abdome inocente → Isquemia Mesentérica Aguda (Embolia).
A embolia da AMS é a causa mais comum de isquemia mesentérica aguda, geralmente originada de trombos atriais em pacientes com fibrilação atrial e anticoagulação inadequada.
A isquemia mesentérica aguda (IMA) é uma emergência cirúrgica com altas taxas de mortalidade (60-80%). A etiologia embólica responde por cerca de 50% dos casos. O êmbolo costuma se alojar distalmente à origem da artéria mesentérica superior, frequentemente poupando a artéria cólica média e as primeiras alças jejunais, o que pode ser observado na angio-TC. A fisiopatologia envolve uma interrupção súbita do fluxo sanguíneo, levando à isquemia da mucosa em minutos. Se não tratada, evolui para necrose transmural e perfuração. O manejo exige reanimação volêmica, anticoagulação sistêmica e intervenção imediata (embolectomia cirúrgica ou técnicas endovasculares) para restaurar o fluxo e avaliar a viabilidade das alças intestinais.
Embora não seja uma tríade formal, a apresentação clássica envolve dor abdominal súbita e intensa que é desproporcional aos achados do exame físico (abdome inicialmente inocente), associada a fatores de risco embólicos (como fibrilação atrial) e esvaziamento intestinal (vômitos ou diarreia/hematoquezia).
Na fibrilação atrial, a estase sanguínea nos átrios (especialmente no apêndice atrial esquerdo) favorece a formação de trombos. Quando esses trombos se desprendem, tornam-se êmbolos que seguem o fluxo sistêmico. A artéria mesentérica superior (AMS) é um alvo frequente devido ao seu calibre e ao ângulo de saída da aorta, que facilita a entrada de êmbolos.
A angiotomografia computadorizada (angio-TC) de abdome com contraste arterial é o exame de escolha inicial devido à sua alta sensibilidade e especificidade. Ela permite visualizar falhas de enchimento nos vasos mesentéricos, avaliar a viabilidade da parede intestinal e excluir outros diagnósticos diferenciais de abdome agudo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo