INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um paciente de 63 anos, internado há 2 dias na unidade de terapia intensiva devido a quadro de insuficiência coronariana aguda, inicia, após o desjejum, quadro súbito de dor abdominal intensa e difusa. Ao exame físico, nota-se discreta taquicardia, abdome doloroso difusamente à palpação, com discretas distensão e contração muscular à palpação e ruídos hidroaéreos diminuídos. À radiografia de abdome, constata-se distensão gasosa em alças intestinais, com edema de parede de alças de intestino delgado, sem sinais de pneumoperitôneo. À ultrassonografia de abdome, observa-se gás venoso portal e imagem sugestiva de pneumatose intestinal.Considerando o quadro clínico, o paciente está com abdome agudo
Abdome agudo vascular: dor intensa desproporcional ao exame, fatores de risco CV, pneumatose intestinal → AngioTC + Laparotomia.
A isquemia mesentérica aguda deve ser fortemente suspeitada em pacientes com fatores de risco cardiovasculares (como insuficiência coronariana aguda) que desenvolvem dor abdominal súbita e intensa, desproporcional aos achados do exame físico. Achados como pneumatose intestinal e gás venoso portal na imagem são sinais tardios e graves de necrose intestinal, indicando urgência cirúrgica.
A isquemia mesentérica aguda é uma condição grave e potencialmente fatal, caracterizada pela interrupção do fluxo sanguíneo para o intestino, levando à necrose tecidual. É mais comum em idosos e pacientes com comorbidades cardiovasculares, como fibrilação atrial, insuficiência cardíaca e doença aterosclerótica. O reconhecimento precoce é crucial para a sobrevida, pois o atraso no diagnóstico e tratamento aumenta significativamente a mortalidade.
Os principais sinais incluem dor abdominal súbita e intensa, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico. Pode haver taquicardia, distensão abdominal e ruídos hidroaéreos diminuídos. Em casos avançados, surgem sinais de peritonite e choque.
A angiotomografia é o exame de escolha porque permite visualizar diretamente os vasos mesentéricos, identificar oclusões arteriais ou venosas, e avaliar sinais de sofrimento intestinal, como espessamento da parede, pneumatose intestinal e gás venoso portal, fornecendo informações cruciais para o planejamento cirúrgico.
A insuficiência coronariana aguda é um fator de risco importante, pois a isquemia mesentérica pode ser causada por embolia (de trombos cardíacos) ou por baixo débito cardíaco (isquemia não oclusiva). Pacientes com doença cardíaca grave são mais suscetíveis a ambas as formas de isquemia mesentérica.
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