HSJ - Hospital São Julião (MS) — Prova 2015
Maria 68 anos, dá entrada no pronto socorro com história de dor abdominal intensa, difusa, progressiva, sem fatores de melhora, que iniciou há 01 dia, associada a náuseas e vômitos. Antecedentes: nega hipertensão arterial sistêmica e refere fibrilação atrial (em tratamento irregular). Ao exame físico: fácies de dor, abdome flácido, levemente distendido e com dor a palpação superficial e profunda, descompressão brusca negativa. Exames laboratoriais hemograma com 13200 leicócitos/mm³ , 10% de bastões. Raio-X de abdome agudo com sinais de edema de parede de alças intestinais. Qual o diagnóstico mais provável?
Dor abdominal intensa desproporcional ao exame físico + FA + leucocitose + edema de alça intestinal → Isquemia Mesentérica.
A isquemia mesentérica aguda deve ser fortemente suspeitada em idosos com dor abdominal intensa e desproporcional aos achados do exame físico, especialmente na presença de fatores de risco para embolia (como fibrilação atrial irregular). Os exames complementares podem mostrar leucocitose e sinais de edema de alça.
A isquemia mesentérica aguda é uma emergência cirúrgica grave com alta morbimortalidade, caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino. Afeta predominantemente idosos e é frequentemente causada por embolia arterial mesentérica superior (AMS), trombose arterial ou venosa mesentérica, ou isquemia não oclusiva. A fibrilação atrial é um fator de risco importante para embolia da AMS, como no caso da paciente, que estava em tratamento irregular. A apresentação clínica clássica é dor abdominal intensa, difusa e progressiva, que é desproporcional aos achados do exame físico nas fases iniciais. Náuseas, vômitos, diarreia e sangramento retal podem ocorrer. A leucocitose com desvio à esquerda é comum. Sinais radiográficos inespecíficos como edema de parede de alças intestinais podem ser vistos em radiografias simples, mas a angiotomografia computadorizada é o método diagnóstico de escolha para visualizar a oclusão vascular e a extensão da isquemia. O diagnóstico precoce e a intervenção imediata são cruciais para salvar a vida do paciente e preservar a viabilidade intestinal. O tratamento pode envolver revascularização cirúrgica ou endovascular, além de medidas de suporte. A demora no diagnóstico e tratamento leva à necrose intestinal, perfuração, sepse e falência de múltiplos órgãos, com prognóstico sombrio.
Os principais fatores de risco incluem fibrilação atrial, doença cardíaca isquêmica, insuficiência cardíaca, valvopatias, aterosclerose generalizada, estados de hipercoagulabilidade e uso de drogas vasoconstritoras.
A dor é intensa devido à isquemia visceral, mas o exame físico abdominal pode ser relativamente benigno (abdome flácido, sem sinais de peritonite franca) nas fases iniciais, antes da necrose e perfuração intestinal.
A angiotomografia computadorizada (angio-TC) de abdome é o exame de imagem de escolha, permitindo visualizar a oclusão vascular e sinais de isquemia intestinal, como edema de parede, pneumatose e gás na veia porta.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo