Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Sinais de Alerta

FHSTE - Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (RS) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 65 anos, com antecedentes de diabetes, hipertensão, portador de fibrilação atrial crônica e revascularização miocárdica, foi trazido para emergência com queixa de dor abdominal intensa iniciada há menos de 1 hora. Ao exame, estava corado, afebril, porém hipotenso e taquicárdico, com abdome difusamente doloroso, mas sem sinais de peritonismo ou massas abdominais. Os exames laboratoriais revelam discreta leucocitose e acidose metabólica. Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) ruptura de aneurisma de aorta
  2. B) isquemia mesentérica
  3. C) úlcera péptica perfurada
  4. D) apendicite rota

Pérola Clínica

Dor abdominal intensa desproporcional ao exame físico + FA + acidose metabólica → Isquemia mesentérica.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda deve ser fortemente suspeitada em pacientes idosos com fatores de risco cardiovasculares (FA, diabetes, hipertensão) que apresentam dor abdominal intensa e súbita, desproporcional aos achados do exame físico. A presença de hipotensão, taquicardia e acidose metabólica sugere sofrimento intestinal e gravidade.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda é uma emergência abdominal com alta morbimortalidade, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades cardiovasculares. A etiologia mais comum é a embolia arterial mesentérica superior, frequentemente originada de trombos em pacientes com fibrilação atrial, como no caso apresentado. Outras causas incluem trombose arterial ou venosa mesentérica e isquemia não oclusiva. O quadro clínico é caracterizado por dor abdominal intensa e súbita, muitas vezes descrita como "desproporcional" aos achados do exame físico inicial, que pode ser benigno. No entanto, a evolução rápida para hipotensão, taquicardia, leucocitose e acidose metabólica (com lactato elevado) indica sofrimento intestinal e necrose. A ausência de peritonismo no início não exclui o diagnóstico, que exige alta suspeição. O diagnóstico precoce é fundamental e geralmente requer exames de imagem como angiotomografia de abdome. O tratamento é cirúrgico para revascularização e ressecção de segmentos necróticos, ou endovascular em casos selecionados. A demora no diagnóstico e tratamento leva à necrose intestinal, sepse e falência de múltiplos órgãos, ressaltando a importância do reconhecimento rápido por parte do residente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para isquemia mesentérica aguda?

Os principais fatores de risco incluem fibrilação atrial, doença aterosclerótica generalizada, insuficiência cardíaca, hipotensão, uso de vasopressores e estados de hipercoagulabilidade.

Por que a dor abdominal na isquemia mesentérica é descrita como 'desproporcional'?

A dor é frequentemente descrita como desproporcional aos achados do exame físico porque, nas fases iniciais, o abdome pode estar pouco doloroso à palpação, sem sinais de peritonismo, apesar da intensidade da dor referida pelo paciente.

Qual o papel da acidose metabólica no diagnóstico da isquemia mesentérica?

A acidose metabólica, especialmente com elevação do lactato, é um marcador de hipoperfusão tecidual e isquemia intestinal, indicando sofrimento celular e anaerobiose, sendo um sinal de gravidade e forte indício de isquemia mesentérica.

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