Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Etiologia da Embolia

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024

Enunciado

Uma mulher de 81 anos com histórico de hipertensão, diabetes mellitus, fibrilação atrial e obesidade chega ao pronto-socorro com dor abdominal de início agudo, náuseas, vômitos e hematoquezia. As cirurgias anteriores incluem uma apendicectomia laparoscópica. Alista de medicamentos do paciente inclui Coumadin, mas ela admite ter perdido algumas doses na última semana. No exame físico, a paciente está se contorcendo de dor, mas seu abdome está flácido, levemente sensível a palpação e não distendido. A contagem de leucócitos é de 21.000/uL e lactato de 3,5 mmol/L. A radiografia de abdome é normal. A angiotomografia computadorizada demonstra ausência de fluxo distal à origem da Artéria Mesentérica Superior (AMS). Qual é a provável etiologia da oclusão da AMS?

Alternativas

  1. A) Vasoconstrição mesentérica;
  2. B) Embolia da circulação mesentérica;
  3. C) Trombose da circulação mesentérica;
  4. D) Trombose venosa mesentérica.

Pérola Clínica

Idoso com FA, dor abdominal desproporcional ao exame físico, lactato ↑ e oclusão AMS na angio-TC → Embolia mesentérica.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda por embolia da Artéria Mesentérica Superior (AMS) é comum em pacientes com fibrilação atrial e anticoagulação inadequada. A dor abdominal intensa e desproporcional aos achados do exame físico, associada a marcadores de isquemia (lactato elevado) e evidência de oclusão arterial na angio-TC, são cruciais para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda (IMA) é uma emergência abdominal com alta morbimortalidade, caracterizada pela interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino. A etiologia mais comum é a embólica, geralmente originária do coração em pacientes com fibrilação atrial não anticoagulada ou inadequadamente anticoagulada. É crucial para residentes reconhecerem os sinais precoces para um manejo oportuno. A fisiopatologia da IMA embólica envolve a migração de um trombo para a artéria mesentérica superior (AMS), que irriga a maior parte do intestino delgado e cólon direito. Clinicamente, os pacientes apresentam dor abdominal súbita e intensa, muitas vezes desproporcional aos achados do exame físico. Náuseas, vômitos e hematoquezia podem estar presentes. Marcadores laboratoriais como leucocitose e lactato elevado são indicativos de isquemia. O diagnóstico é confirmado pela angiotomografia computadorizada, que demonstra a oclusão arterial e sinais de isquemia intestinal. O tratamento é uma emergência cirúrgica, visando a revascularização e ressecção de segmentos intestinais necróticos. O prognóstico depende diretamente da rapidez do diagnóstico e da intervenção, sendo a suspeita clínica precoce o fator mais importante para a sobrevida.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco mais comuns para isquemia mesentérica aguda embólica?

Os principais fatores de risco incluem fibrilação atrial, doença cardíaca valvular, infarto agudo do miocárdio recente, aneurismas ventriculares e doença aterosclerótica. A anticoagulação inadequada ou irregular em pacientes com FA aumenta significativamente o risco de embolia.

Por que a dor abdominal é desproporcional aos achados do exame físico na isquemia mesentérica?

A dor é desproporcional porque a isquemia afeta primariamente a inervação visceral, causando dor intensa, mas os sinais de irritação peritoneal (peritonismo) só aparecem tardiamente, quando já há necrose intestinal e extravasamento de conteúdo.

Qual o papel da angiotomografia computadorizada no diagnóstico da isquemia mesentérica aguda?

A angiotomografia computadorizada (angio-TC) é o exame de imagem de escolha para o diagnóstico da isquemia mesentérica aguda. Ela permite visualizar diretamente a oclusão ou estenose dos vasos mesentéricos, além de identificar sinais de sofrimento intestinal, como pneumatose, espessamento da parede e líquido livre.

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