Isquemia Mesentérica Aguda: Diagnóstico e Conduta

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2026

Enunciado

Um paciente de 74 anos de idade, com fibrilação atrial não anticoagulada, apresentou dor abdominal intensa desproporcional ao exame físico, FC = 120 bpm, FR = 22 irpm, saturação = 95 %, e abdome com leve distensão, sem sinais de peritonite. Assinale a alternativa que indica a conduta correta para esse paciente:

Alternativas

  1. A) Instituir analgesia e observação inicial.
  2. B) Programar laparoscopia diagnóstica como primeira medida.
  3. C) Realizar colonoscopia diagnóstica.
  4. D) Solicitar angiotomografia imediata e iniciar anticoagulação precoce.

Pérola Clínica

Dor abdominal intensa + Exame físico inocente + FA → Isquemia Mesentérica Aguda.

Resumo-Chave

A isquemia mesentérica aguda é uma emergência vascular onde a dor é desproporcional ao exame físico; o diagnóstico padrão-ouro é a angiotomografia computadorizada.

Contexto Educacional

A isquemia mesentérica aguda (IMA) representa uma das emergências abdominais mais temidas devido à sua alta taxa de mortalidade (60-80%). A causa mais comum é a embolia da artéria mesentérica superior (AMS), frequentemente originada no átrio esquerdo em pacientes com fibrilação atrial. A fisiopatologia envolve a interrupção súbita do fluxo sanguíneo para o intestino delgado, levando rapidamente à isquemia da mucosa e, se não tratada, à necrose transmural e perfuração. O tempo é o fator crítico no prognóstico. A janela de oportunidade para salvar o intestino é curta. O manejo moderno foca na revascularização precoce, que pode ser cirúrgica (embolectomia) ou endovascular (trombólise ou trombectomia mecânica), dependendo da estabilidade do paciente e da presença de sinais de peritonite. Se houver suspeita de necrose intestinal (peritonite ao exame físico), a laparotomia exploradora é mandatória para ressecção de alças inviáveis, muitas vezes seguida de uma 'second-look' laparotomy em 24-48 horas.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica da isquemia mesentérica aguda embólica?

Embora não seja uma tríade formal, a apresentação clássica envolve: 1) Dor abdominal súbita e intensa, frequentemente descrita como a pior da vida; 2) Exame físico abdominal inicialmente normal ou com achados mínimos (dor desproporcional ao exame); 3) Presença de um fator predisponente para embolia, como a fibrilação atrial não anticoagulada ou infarto do miocárdio recente.

Por que a angiotomografia é o exame de escolha?

A angiotomografia (angio-TC) de abdome e pelve com contraste arterial possui alta sensibilidade (>90%) e especificidade para detectar oclusões vasculares mesentéricas. Ela permite visualizar falhas de enchimento na artéria mesentérica superior, avaliar a viabilidade da alça intestinal (espessamento de parede, pneumatose intestinal) e excluir outros diagnósticos diferenciais de abdome agudo.

Qual o papel da anticoagulação no manejo inicial?

A anticoagulação sistêmica com heparina não fracionada deve ser iniciada assim que o diagnóstico for suspeitado ou confirmado, desde que não haja contraindicações. O objetivo é prevenir a propagação do trombo e a formação de novos êmbolos, melhorando a perfusão colateral e reduzindo a extensão da isquemia enquanto se planeja a revascularização definitiva.

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