Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2025
Paciente feminina, 77 anos de idade, dá entrada no pronto-socorro por quadro de dor intensa em abdome, cerca de 2 horas após alimentação. Refere que há alguns meses vinha apresentando dor abdominal difusa, pouco depois das refeições, do tipo aperto, com melhora espontânea, no entanto, o episódio de hoje foi de maior intensidade e persistente, por isso, optou pelo atendimento médico. De antecedentes pessoais, apresenta dislipidemia, tabagismo, doença arterial periférica com histórico de revascularização do membro inferior esquerdo há 3 anos. Ao exame físico, apresenta abdome plano, sem distensão, ruídos hidroaéreos presentes e sem irritação peritoneal. Assinale a alternativa que apresenta, dentre as abaixo, o exame para confirmação da hipótese diagnóstica mais provável:
Paciente idoso com fatores de risco vascular e dor abdominal pós-prandial (angina mesentérica) que agudiza → suspeita de isquemia mesentérica = AngioTC de abdome.
A isquemia mesentérica crônica manifesta-se como dor abdominal pós-prandial devido à aterosclerose das artérias viscerais. Uma agudização sugere trombose ou embolia. A angiotomografia de abdome é o padrão-ouro para o diagnóstico, pois avalia diretamente o fluxo sanguíneo nas artérias mesentéricas.
A isquemia mesentérica é uma condição grave resultante da redução do fluxo sanguíneo para o intestino, podendo ser aguda ou crônica. A forma crônica, conhecida como 'angina mesentérica', é causada pela aterosclerose das artérias mesentéricas (superior, inferior e tronco celíaco), manifestando-se tipicamente como dor abdominal em cólica cerca de 15 a 60 minutos após as refeições, quando a demanda metabólica intestinal aumenta. Pacientes frequentemente desenvolvem medo de se alimentar (sitofobia) e perdem peso. O quadro clínico apresentado descreve uma agudização de uma provável isquemia mesentérica crônica. A paciente possui múltiplos fatores de risco para doença aterosclerótica (idade, dislipidemia, tabagismo, doença arterial periférica manifesta). A dor súbita e intensa sugere uma oclusão aguda, seja por trombose sobre uma placa pré-existente ou por embolia. O diagnóstico diferencial de dor abdominal em um paciente com este perfil deve sempre incluir a isquemia mesentérica. O exame padrão-ouro para o diagnóstico é a angiotomografia computadorizada (AngioTC) de abdome. Este exame permite a visualização direta da vasculatura mesentérica, identificando estenoses, oclusões, trombos ou sinais de sofrimento de alça, como pneumatose intestinal. Outros exames como endoscopia, ultrassom ou radiografia simples não são capazes de avaliar a patologia vascular e, portanto, não são adequados para confirmar a principal hipótese diagnóstica, podendo atrasar o tratamento e piorar o prognóstico.
O principal sinal é a 'dor desproporcional ao exame físico': uma dor abdominal súbita e intensa em um paciente cujo abdome é flácido e pouco doloroso à palpação inicial. Fatores de risco como fibrilação atrial, aterosclerose e idade avançada aumentam a suspeita.
A conduta inicial envolve a estabilização hemodinâmica do paciente com ressuscitação volêmica, antibioticoterapia de amplo espectro para cobrir translocação bacteriana, e a solicitação urgente de uma angiotomografia de abdome para confirmação diagnóstica e planejamento terapêutico.
A isquemia crônica (angina mesentérica) é caracterizada por dor abdominal pós-prandial recorrente, que leva à 'sitofobia' (medo de comer) e perda de peso. A forma aguda é um evento súbito, com dor intensa e persistente, representando uma emergência cirúrgica.
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