Isquemia Crítica de Membros: Diagnóstico e Conduta

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 70 anos, fumante, apresenta dor em repouso nos pés e lesões ulceradas nas extremidades inferiores. Qual é a abordagem inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Prescrever medicamentos vasodilatadores e programar o acompanhamento com arteriografia em 6 meses.
  2. B) Iniciar tratamento com anticoagulantes e observar, pois, a maioria das úlceras em insuficiência arterial crônica cicatriza espontaneamente.
  3. C) Indicar cirurgia de revascularização urgente para restabelecer o fluxo sanguíneo e prevenir a progressão para gangrena.
  4. D) Realizar apenas curativos nas úlceras e prescrever analgésicos, pois o tratamento cirúrgico raramente é necessário.

Pérola Clínica

Dor de repouso + Lesão trófica = Isquemia Crítica → Revascularização Urgente.

Resumo-Chave

A presença de dor em repouso e úlceras indica um estágio avançado de insuficiência arterial (CLTI), onde o risco de perda do membro é iminente sem intervenção cirúrgica.

Contexto Educacional

A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma manifestação sistêmica da aterosclerose. Quando evolui para Isquemia Crítica (Chronic Limb-Threatening Ischemia - CLTI), representa uma ameaça direta à viabilidade do membro. O paciente típico é idoso, tabagista ou diabético, apresentando dor que piora ao elevar a perna e melhora ao deixá-la pendente (posição de declive). O diagnóstico clínico é corroborado pelo Índice Tornozelo-Braquial (ITB) geralmente < 0,4 ou pressão de hálux < 30 mmHg. A abordagem inicial deve ser agressiva: controle de fatores de risco (cessação do tabagismo, estatinas, antiagregantes) e planejamento imediato de revascularização. A demora na intervenção cirúrgica ou endovascular está associada a altas taxas de morbimortalidade e perda funcional definitiva.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Isquemia Crítica de Membros (CLTI)?

A CLTI é definida pela presença de dor isquêmica em repouso (necessitando de analgesia por mais de 2 semanas) ou lesões tróficas (úlceras ou gangrena) atribuíveis à doença arterial obstrutiva periférica comprovada.

Qual o papel da revascularização na CLTI?

A revascularização (seja por cirurgia de bypass ou angioplastia endovascular) é mandatória para restaurar o fluxo sanguíneo, aliviar a dor, promover a cicatrização das úlceras e evitar a amputação maior do membro.

Por que vasodilatadores não são a primeira escolha?

Em estágios avançados de DAOP, as obstruções são anatômicas e severas. Medicamentos vasodilatadores não conseguem superar a resistência mecânica das placas ateroscleróticas para fornecer fluxo suficiente para a viabilidade tecidual.

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