Isquemia Crítica: Manejo da Doença Arterial Periférica

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 75 anos, com necrose de artelhos, e obstrução focal de artérias tibiais e fibular, com índice tornozelo-braço de 0,38. É lucido e cooperante. Assinale a escolha terapêutica mais adequada:

Alternativas

  1. A) Amputação dos artelhos necróticos, somente.
  2. B) Amputação transtibial.
  3. C) Amputação transtársica.
  4. D) Angioplastia transluminal percutânea de ao menos uma artéria de perna e amputação dos artelhos necróticos.

Pérola Clínica

ITB < 0,4 + Necrose = Isquemia Crítica → Revascularizar antes de amputar (salvamento de membro).

Resumo-Chave

Em pacientes com isquemia crítica (ITB < 0,4) e perda tecidual, a prioridade é a revascularização para garantir fluxo sanguíneo e permitir a cicatrização após desbridamento ou amputação menor.

Contexto Educacional

A Doença Arterial Periférica (DAP) em estágios avançados manifesta-se como isquemia crítica, uma condição de alto risco para perda do membro e eventos cardiovasculares maiores. O Índice Tornozelo-Braço (ITB) é uma ferramenta diagnóstica fundamental; valores abaixo de 0,4 indicam isquemia grave. O tratamento moderno foca no 'salvamento de membro', priorizando a revascularização (seja endovascular ou cirúrgica) para restaurar a perfusão distal. A estratégia de 'revascularizar primeiro, amputar depois' (amputação menor/desbridamento) é o padrão-ouro para preservar a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente idoso e cooperante.

Perguntas Frequentes

O que define a Isquemia Crítica de Membros Inferiores?

É definida pela presença de dor em repouso por mais de duas semanas ou perda tecidual (úlceras ou gangrena) atribuível à doença arterial obstrutiva. Frequentemente associada a um ITB < 0,4 ou pressão sistólica no tornozelo < 50 mmHg.

Qual o papel da angioplastia na isquemia infrapatelar?

A angioplastia transluminal percutânea (ATP) das artérias da perna (tibiais e fibular) visa restabelecer o fluxo direto para o pé (conceito de angiossoma). Isso é essencial para fornecer oxigênio e nutrientes necessários para a cicatrização de feridas ou do coto de amputação menor.

Por que não realizar apenas a amputação dos artelhos?

Sem revascularização prévia, o fluxo sanguíneo local é insuficiente para a cicatrização da ferida cirúrgica. A amputação isolada em um membro isquêmico invariavelmente resulta em falha de cicatrização, progressão da necrose e necessidade de amputações em níveis mais proximais.

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