HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2025
Homem, 69 anos de idade, tabagista inveterado, comparece no ambulatório com queixa de claudicação intermitente nos últimos 10 meses, com piora progressiva e, no último mês, notou lesão ulcerada e dolorosa no dorso do pé esquerdo. Ao exame clínico, não se percebe pulso pedioso e tibial nesse lado. Em relação ao caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a melhor opção de tratamento.
Paciente com claudicação, dor em repouso e úlcera arterial → Isquemia crítica de membro = Indicação de revascularização urgente (arteriografia/angioplastia).
A presença de dor isquêmica em repouso ou lesão trófica (úlcera, gangrena) em um paciente com doença arterial periférica (DAP) define isquemia crítica do membro. Nesses casos, o manejo clínico isolado é insuficiente, sendo mandatória a avaliação para revascularização.
A Doença Arterial Periférica (DAP) é uma manifestação da aterosclerose sistêmica que afeta as artérias dos membros inferiores. Sua apresentação clínica varia desde pacientes assintomáticos até quadros de isquemia crítica do membro, que representa uma emergência vascular com alto risco de amputação. O tabagismo é o principal fator de risco modificável. A progressão da doença leva ao estreitamento das artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo para os músculos. Inicialmente, isso causa a claudicação intermitente, uma dor tipo cãibra que surge durante o esforço e alivia com o repouso. Com a piora da obstrução, o fluxo sanguíneo torna-se insuficiente mesmo em repouso, levando à dor isquêmica de repouso e ao surgimento de lesões tróficas (úlceras ou gangrena), caracterizando a isquemia crítica. O diagnóstico é clínico, baseado na história e no exame físico (ausência de pulsos distais, palidez, pele fria), e pode ser complementado pelo Índice Tornozelo-Braquial (ITB). Diante da isquemia crítica, o tratamento clínico com antiagregantes e estatinas não é suficiente. É imperativo realizar um estudo de imagem vascular, como a arteriografia, para planejar e executar a revascularização, seja por via endovascular (angioplastia) ou cirúrgica (bypass), para salvar o membro.
A isquemia crítica é definida pela presença de dor isquêmica em repouso, que tipicamente piora com a elevação do membro e alivia ao pendê-lo, ou pela existência de lesões tróficas, como úlceras arteriais ou gangrena, em um contexto de doença arterial periférica.
A arteriografia é o padrão-ouro para o diagnóstico. Ela mapeia a anatomia vascular, localiza as estenoses ou oclusões e avalia o leito distal, sendo essencial para o planejamento da revascularização, que pode ser realizada no mesmo procedimento através da angioplastia com ou sem stent.
Úlceras arteriais são tipicamente dolorosas, localizadas em extremidades (dedos, calcanhar), com bordas bem definidas e base pálida ou necrótica, associadas à ausência de pulsos. Úlceras venosas são mais comuns na região do maléolo medial, menos dolorosas, com bordas irregulares e associadas a edema e hiperpigmentação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo