Isquemia Crítica de Membro: Diagnóstico e Conduta na DAOP

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem de 68 anos com queixa de dor em membro inferior direito ao deambular há 10 anos. Relata que a distância que conseguia andar está diminuindo progressivamente e, há 1 mês, relata ''escurecimento'' progressivo em extremidade do hálux direito e piora da dor no pé que ocorre, agora, mesmo em repouso. Ao exame vascular, apresenta cianose fixa em extremidade do hálux direito e cianose não fixa dos demais artelhos deste pé, sem saída de secreção ou outros sinais flogísticos. Pulsos femorais presentes, porém pulsos poplíteo, tibial posterior e pedioso ausentes à direita e diminuídos à esquerda. Qual a conduta?

Alternativas

  1. A) Amputação do hálux, antibioticoterapia e revascularização em segundo tempo se não houver cicatrização.
  2. B) Amputação do hálux seguido de arteriografia para programar revascularização.
  3. C) Cirurgia de urgência para realização de tromboembolectomia à Fogarty.
  4. D) Arteriografia para programação de revascularização.

Pérola Clínica

Claudicação + dor em repouso + cianose fixa + pulsos ausentes = Isquemia Crítica de Membro → Arteriografia para revascularização.

Resumo-Chave

O quadro clínico de claudicação progressiva, dor em repouso, alterações tróficas (cianose fixa) e ausência de pulsos distais indica isquemia crítica de membro inferior, que requer arteriografia para mapear a lesão e planejar a revascularização para salvar o membro.

Contexto Educacional

A Doença Arterial Obstrutiva Periférica (DAOP) é uma condição progressiva que, em seus estágios avançados, pode levar à isquemia crítica de membro (ICM). A ICM é definida pela presença de dor isquêmica em repouso, úlceras ou gangrena, e representa um alto risco de amputação e mortalidade cardiovascular. O diagnóstico da ICM é clínico, baseado nos sintomas e achados do exame físico, como pulsos ausentes ou diminuídos, alterações tróficas e cianose. A avaliação objetiva inclui o índice tornozelo-braquial (ITB) e, crucialmente, a arteriografia. A arteriografia é o exame padrão-ouro para delinear a anatomia vascular, identificar as lesões obstrutivas e guiar o planejamento da revascularização. A conduta na ICM visa aliviar a dor, promover a cicatrização de lesões e, principalmente, salvar o membro. A revascularização, seja endovascular ou cirúrgica, é a principal estratégia para restaurar o fluxo sanguíneo. A amputação é considerada apenas quando a revascularização não é possível ou falha, ou quando a extensão da necrose inviabiliza o salvamento do membro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da isquemia crítica de membro inferior?

A isquemia crítica de membro inferior é caracterizada por dor em repouso persistente, que piora com a elevação do membro e melhora com a dependência, e/ou lesões tróficas (úlceras, gangrena) no pé ou nos dedos, além de pulsos distais ausentes ou diminuídos.

Por que a arteriografia é a conduta inicial na isquemia crítica de membro?

A arteriografia é essencial para mapear a extensão e localização das lesões obstrutivas arteriais, permitindo planejar a melhor estratégia de revascularização, seja por via endovascular (angioplastia) ou cirúrgica (bypass), com o objetivo de salvar o membro.

Qual a diferença entre claudicação intermitente e dor em repouso na DAOP?

A claudicação intermitente é dor muscular induzida por exercício e aliviada pelo repouso, indicando isquemia moderada. A dor em repouso, por outro lado, é um sinal de isquemia grave e persistente, ocorrendo mesmo sem esforço e indicando um estágio mais avançado da doença arterial obstrutiva periférica.

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