Isquemia Crítica de Membro: Diagnóstico e Conduta Urgente

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 65 anos, apresentava-se com dor em artelhos do pé esquerdo há dois meses com piora progressiva sem fator de melhora com a postura ou posição. Há um mês notou aparecimento de lesão necrótica no hálux esquerdo. Fumante há 40 anos e hipertenso com controle irregular fazendo uso de losartana 50 mg dia. Ao exame clínico apresentava-se com pulso femoral amplo e palpável e ausência de pulsos em região de poplítea, tibial posterior e de artéria pediosa. Lesão gangrenada e seca envolvendo 2/3 do hálux esquerdo com discreta hiperemia de bordos e sem edema.Qual melhor conduta imediata para o caso?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia de amplo espectro e terapia por oxigenioterapia hiperbárica.
  2. B) Arteriografia do membro inferior esquerdo para planejamento de revascularização.
  3. C) Amputação primária do hálux seguido de anticoagulação plena.
  4. D) Dupla antiagregação plaquetária seguido de exame de ultrassonografia vascular arterial e venosa.

Pérola Clínica

Dor em repouso + lesão trófica + pulsos distais ausentes em fumante → Isquemia Crítica de Membro. Arteriografia para revascularização.

Resumo-Chave

O quadro de dor em repouso, lesão necrótica em extremidade e ausência de pulsos distais em paciente com fatores de risco (tabagismo, hipertensão) é altamente sugestivo de isquemia crítica de membro inferior. A arteriografia é a conduta imediata para mapear a anatomia vascular e planejar a revascularização, que é essencial para salvamento do membro.

Contexto Educacional

A isquemia crítica de membro inferior (ICMI) é a forma mais grave da doença arterial periférica (DAP), caracterizada por dor isquêmica em repouso persistente, úlceras ou gangrena. É uma condição que ameaça a viabilidade do membro e está associada a alta morbidade e mortalidade cardiovascular. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para o salvamento do membro e para a melhoria da qualidade de vida do paciente, sendo um tema de grande importância na cirurgia vascular e clínica médica. O quadro clínico típico envolve dor em artelhos ou pé que piora com a elevação do membro e melhora com a dependência, além da presença de lesões tróficas (necrose, gangrena). Ao exame físico, a ausência de pulsos distais (poplíteo, tibial posterior, pedioso) é um achado fundamental, mesmo com pulsos proximais preservados, indicando obstrução distal. Fatores de risco como tabagismo e hipertensão são fortemente associados à aterosclerose, principal causa da DAP. A conduta imediata na ICMI visa restabelecer o fluxo sanguíneo para o membro. A arteriografia do membro inferior é o exame padrão-ouro para o planejamento da revascularização, seja endovascular (angioplastia com ou sem stent) ou cirúrgica (bypass). Outras medidas, como antibioticoterapia, são secundárias e só devem ser iniciadas após a avaliação e planejamento da revascularização, que é a prioridade para evitar a amputação e preservar a função do membro.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da isquemia crítica de membro inferior?

Os sinais e sintomas da isquemia crítica de membro inferior incluem dor em repouso (especialmente noturna), lesões tróficas (úlceras, necrose, gangrena) que não cicatrizam, e ausência ou diminuição acentuada dos pulsos distais, frequentemente em pacientes com fatores de risco como tabagismo e diabetes.

Por que a arteriografia é a melhor conduta imediata nesse caso?

A arteriografia é a melhor conduta imediata porque permite visualizar a anatomia vascular do membro inferior, identificar o local e a extensão das obstruções arteriais. Essa informação é crucial para planejar a estratégia de revascularização, seja por angioplastia ou cirurgia, visando restaurar o fluxo sanguíneo e salvar o membro.

Quais são os principais fatores de risco para a doença arterial periférica?

Os principais fatores de risco para a doença arterial periférica, que pode evoluir para isquemia crítica, são tabagismo, diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia, idade avançada e histórico familiar de doença cardiovascular.

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