HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024
Homem de 68 anos, com antecedentes de dislipidemia, diabetes e tabagismo. Procurou o pronto-socorro relatando dor em membro inferior direito de início súbito, associado a parestesia no pé ipsilateral. Ao exame físico, encontra-se normotenso, arrítmico, ausência de edema, com redução da temperatura e palidez do membro inferior direito. Os pulsos são todos presentes e fortes à esquerda, mas ausentes desde a artéria femoral direita até o pedioso. Panturrilha livre. Levantada a hipótese de insuficiência arterial periférica aguda. A provável origem e o critério mais importante para avaliar a viabilidade do membro são:
Isquemia aguda de membro + paciente arrítmico → origem embólica; viabilidade = exame neurológico.
A isquemia arterial aguda em paciente arrítmico (provável fibrilação atrial) sugere fortemente uma origem embólica. O exame neurológico (sensibilidade e motricidade) é o critério mais importante para classificar a gravidade da isquemia e determinar a viabilidade do membro, guiando a urgência da intervenção.
A insuficiência arterial periférica aguda, ou isquemia aguda de membro, é uma emergência vascular que exige diagnóstico e tratamento rápidos para preservar a viabilidade do membro e evitar amputação. Caracteriza-se por uma diminuição súbita do fluxo sanguíneo arterial para um membro, resultando em hipóxia tecidual. As principais causas são a embolia arterial (mais comum em pacientes com arritmias como fibrilação atrial) e a trombose arterial aguda sobre uma placa aterosclerótica preexistente. Os fatores de risco incluem aterosclerose, diabetes, dislipidemia, tabagismo e doenças cardíacas. O quadro clínico é caracterizado pelos "6 Ps": dor (pain), palidez (pallor), parestesia, paralisia, poiquilotermia e ausência de pulsos (pulselessness). A história de um paciente arrítmico com dor súbita e ausência de pulsos distais é altamente sugestiva de origem embólica. O diagnóstico é clínico, mas pode ser complementado por exames de imagem como ultrassom Doppler ou angiotomografia. A avaliação da viabilidade do membro é o critério mais importante para guiar a conduta e é feita principalmente pelo exame neurológico (sensibilidade e motricidade). A classificação de Rutherford para isquemia aguda categoriza a gravidade com base nesses achados: Categoria I (membro viável, sem déficit neurológico), Categoria II (membro ameaçado, com déficit sensitivo leve a moderado e/ou motor leve) e Categoria III (membro irreversivelmente isquêmico, com déficit sensitivo e motor grave, rigidez muscular). Pacientes com isquemia ameaçada (Categoria II) necessitam de revascularização urgente, enquanto a Categoria III geralmente indica amputação primária.
Os sinais e sintomas clássicos são os "6 Ps": Pain (dor), Pallor (palidez), Paresthesia (parestesia), Paralysis (paralisia), Poikilothermia (poiquilotermia ou redução da temperatura) e Pulselessness (ausência de pulso).
A isquemia embólica geralmente tem início súbito, dor intensa, e o paciente frequentemente tem uma fonte embólica (ex: fibrilação atrial, IAM recente). A trombótica tende a ter início mais insidioso, pode ter história prévia de claudicação e ocorre em vasos com doença aterosclerótica preexistente.
O exame neurológico (avaliação da sensibilidade e motricidade) é crucial para classificar a isquemia aguda de membro segundo Rutherford. A presença de déficit sensitivo e/ou motor indica isquemia mais grave e é um preditor fundamental da viabilidade do membro e da necessidade de revascularização urgente.
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