UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2023
Mulher, de 69 anos, hipertensa, diabética e ex-tabagista, vem ao pronto atendimento queixando-se de dor intensa em pé direito há 4 horas, associada à parestesia. Dor de início súbito e ao repouso. Relata que há dois anos vem tendo dor no membro inferior direito quando caminha. Ao exame, o pé direito apresenta palidez, cianose e perda de força na dorsiflexão. Os pulsos femorais estão presentes e simétricos, porém pulsos poplíteos, tibiais posteriores e pediosos estão ausentes bilateralmente. Ausência de sinal Doppler arterial no pé direito, porém sinal Doppler venoso presente. Nesse caso, qual o diagnóstico mais provável e a conduta?
Isquemia aguda membro (6 Ps) + claudicação prévia + pulsos proximais presentes → Trombose arterial aguda.
A presença de dor súbita, parestesia, palidez, cianose e perda de força (os 6 Ps da isquemia aguda) em um paciente com histórico de claudicação intermitente (doença arterial crônica) e pulsos proximais presentes, mas distais ausentes bilateralmente, sugere fortemente uma obstrução arterial aguda de causa trombótica sobre uma placa aterosclerótica preexistente. A conduta é revascularização imediata após estudo de imagem.
A isquemia arterial aguda de membro é uma emergência vascular caracterizada por uma diminuição súbita da perfusão arterial que ameaça a viabilidade do membro. Os sintomas clássicos são os "6 Ps": dor súbita e intensa, palidez, parestesia, paralisia, poiquilotermia e ausência de pulso. A etiologia pode ser trombótica (sobre uma placa aterosclerótica preexistente) ou embólica (geralmente de origem cardíaca). No caso apresentado, a história de claudicação prévia e a ausência de pulsos distais bilateralmente sugerem doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) subjacente, tornando a trombose arterial aguda a causa mais provável. A presença de pulsos femorais simétricos descarta uma oclusão proximal e direciona a investigação para o segmento distal. A ausência de sinal Doppler arterial no pé direito confirma a oclusão. A conduta na isquemia arterial aguda é a revascularização imediata para preservar o membro. Antes da cirurgia, um estudo vascular com exame de imagem (angiotomografia ou arteriografia) é essencial para localizar a obstrução e planejar a abordagem. A anticoagulação sistêmica deve ser iniciada prontamente, mas não substitui a necessidade de revascularização.
Os "6 Ps" são dor (pain), palidez (pallor), parestesia (paresthesia), paralisia (paralysis), poiquilotermia (poikilothermia) e ausência de pulso (pulselessness).
A trombose geralmente ocorre em pacientes com doença arterial obstrutiva periférica preexistente (história de claudicação), enquanto a embolia afeta artérias previamente sadias e tem uma fonte embólica identificável (ex: fibrilação atrial).
A revascularização imediata é crucial para salvar o membro e evitar sequelas graves, como amputação e disfunção neurológica permanente, devido à rápida necrose tecidual em caso de isquemia prolongada.
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