Isquemia Aguda de Membro: Diagnóstico e Manejo Urgente

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

Um homem de 74 anos dá entrada no pronto-atendimento apresentando dor súbita há 5 horas com diminuição de temperatura do pé direito, anestesiado, impedindo-o de deambular. O exame clínico vascular demonstra pulsos normais no membro inferior esquerdo e ausência de pulsos poplíteo distal à direita. Sofreu infarto agudo do miocárdio há 4 meses. Para a situação, a conduta apropriada é

Alternativas

  1. A) empregar analgésico, heparina e/ou fibrinolítico endovenoso.
  2. B) administrar heparina em bomba e preparar para intervenção cirúrgica.
  3. C) aquecer o pé e realizar analgesia.
  4. D) heparinizar o paciente e preparar para arteriografia.

Pérola Clínica

Dor súbita + palidez + parestesia + paralisia + poiquilotermia + ausência de pulsos → Isquemia aguda de membro. Heparinizar e cirurgia urgente.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor súbita, diminuição de temperatura, anestesia e ausência de pulsos em um membro inferior, especialmente em paciente com histórico de IAM (fonte potencial de êmbolos), é altamente sugestivo de isquemia arterial aguda. A conduta imediata envolve anticoagulação com heparina para prevenir a progressão da trombose e preparação para revascularização cirúrgica de emergência.

Contexto Educacional

A isquemia arterial aguda de membro inferior é uma emergência vascular caracterizada por uma diminuição súbita da perfusão sanguínea para o membro, resultando em ameaça à sua viabilidade. As causas mais comuns são embolia (frequentemente de origem cardíaca, como em pacientes com fibrilação atrial ou histórico de IAM) e trombose in situ de uma artéria previamente estenosada. O diagnóstico é clínico, baseado nos '6 Ps': dor, palidez, parestesia, paralisia, poiquilotermia e ausência de pulsos. A conduta é tempo-dependente, pois o atraso no tratamento pode levar à perda do membro ou à morte. A primeira medida é a anticoagulação imediata com heparina não fracionada em bomba de infusão para evitar a propagação do trombo. Simultaneamente, o paciente deve ser preparado para uma intervenção de revascularização. A revascularização pode ser cirúrgica (embolectomia ou trombectomia) ou endovascular (trombólise ou angioplastia). A escolha depende da etiologia, localização da oclusão, tempo de isquemia e condições clínicas do paciente. A arteriografia pode ser realizada para mapear a oclusão, mas não deve atrasar a heparinização e a preparação para a cirurgia. Residentes devem reconhecer rapidamente essa condição e iniciar o manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os '6 Ps' da isquemia arterial aguda?

Os '6 Ps' são dor (pain), palidez (pallor), parestesia (paresthesia), paralisia (paralysis), poiquilotermia (polar/coldness) e ausência de pulso (pulselessness).

Por que a heparina é administrada imediatamente na isquemia aguda de membro?

A heparina é administrada imediatamente para prevenir a propagação do trombo e a formação de novos coágulos, minimizando o risco de piora da isquemia enquanto se aguarda a intervenção definitiva.

Qual a importância do histórico de IAM na isquemia aguda de membro?

O histórico de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) sugere uma fonte cardíaca para êmbolos (ex: trombo mural pós-IAM), tornando a embolia arterial uma causa provável da isquemia aguda do membro.

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