Isquemia Aguda de Membro Inferior: Diagnóstico e Conduta

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, de 62 anos, tabagista, veio à Emergência por dor súbita no membro inferior direito, iniciada há 6 horas, quando se encontrava agachado em sua lavoura. Cerca de 1 hora depois do início da dor, referiu não ter sentido mais a perna do joelho para baixo. Ao exame, apresentava todos os pulsos no membro inferior esquerdo e somente pulso femoral no inferior direito, palidez e déficit de sensibilidade, mas sem déficit de motricidade. Eco-Doppler arterial à beira do leito demonstrou oclusão da artéria femoral superficial a partir do terço médio estendendo-se para a artéria poplítea e para as artérias da perna. A artéria poplítea apresentava dilatação de 2,0 cm. Assinale a assertiva correta sobre o diagnóstico inicial do caso.

Alternativas

  1. A) Eco-Doppler é o exame diagnóstico suficiente para indicar o melhor método de revascularização.
  2. B) Ressonância magnética tem papel fundamental para detectar os vasos com baixo fluxo.
  3. C) Angiotomografia é o exame de escolha complementar para avaliar a anatomia do aneurisma e indicar o melhor método de revascularização.
  4. D) Arteriografia é o exame de escolha complementar por possibilitar avaliação do leito distal e indicar o melhor método de revascularização.

Pérola Clínica

Isquemia aguda de membro inferior + aneurisma poplíteo → Arteriografia para avaliar leito distal e planejar revascularização.

Resumo-Chave

A isquemia aguda de membro inferior com suspeita de trombose de aneurisma de artéria poplítea requer avaliação detalhada do leito distal para planejamento da revascularização. A arteriografia é o exame padrão-ouro para visualizar a anatomia vascular e a extensão da oclusão, sendo crucial para a decisão terapêutica.

Contexto Educacional

A isquemia aguda de membro inferior é uma emergência vascular que exige diagnóstico e tratamento rápidos para preservar a viabilidade do membro. É caracterizada por dor súbita, palidez, ausência de pulso, parestesia e, em casos avançados, paralisia. A etiologia pode ser embólica (mais comum) ou trombótica, frequentemente associada a doença arterial periférica preexistente ou aneurismas. No caso apresentado, a história de dor súbita, ausência de pulsos distais, palidez e déficit sensitivo, associada à dilatação da artéria poplítea (sugestiva de aneurisma trombosado), aponta para uma isquemia aguda grave. O Eco-Doppler é útil para o diagnóstico inicial e localização da oclusão, mas não oferece detalhes suficientes para o planejamento da revascularização em casos complexos. A arteriografia é o padrão-ouro para a avaliação pré-operatória, pois permite visualizar a extensão da oclusão, a presença de circulação colateral e, crucialmente, a condição do leito distal, que é determinante para o sucesso da revascularização. A angiotomografia também pode ser utilizada, mas a arteriografia ainda oferece maior detalhe e, em alguns casos, a possibilidade de intervenção. O tempo é crítico na isquemia aguda para evitar a perda do membro.

Perguntas Frequentes

Quais são os "5 Ps" da isquemia aguda de membro inferior?

Os "5 Ps" são dor (pain), palidez (pallor), ausência de pulso (pulselessness), parestesia (paresthesia) e paralisia (paralysis), indicando gravidade crescente da isquemia e a urgência da intervenção.

Por que a arteriografia é considerada o exame de escolha para planejamento de revascularização?

A arteriografia fornece imagens detalhadas da anatomia vascular, extensão da oclusão, presença de circulação colateral e estado do leito distal, informações cruciais para decidir a melhor técnica de revascularização (cirúrgica ou endovascular) e garantir o sucesso do procedimento.

Qual a importância de um aneurisma de artéria poplítea no contexto de isquemia aguda?

Aneurismas de artéria poplítea são a causa mais comum de isquemia aguda de membro inferior por trombose in situ ou embolização distal, exigindo tratamento urgente devido ao alto risco de perda do membro e à necessidade de reparo do aneurisma.

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