UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024
Um homem de 70 anos, com fibrilação atrial e sem claudicação intermitente prévia, apresentou dor de início súbito em membro inferior esquerdo há 4 horas. A frequência cardíaca é 130 bpm e a PA: 185 × 100 mmHg. A extremidade inferior esquerda está fria e pálida, com déficits motor e sensitivo. O pulso femoral neste membro está ausente, sendo que no membro inferior direito todos os pulsos estão presentes. Qual a conduta inicial mais apropriada, após a administração de heparina sistêmica?
Isquemia aguda de membro com déficits motor/sensitivo e ausência de pulso → revascularização cirúrgica de emergência (tromboembolectomia).
A isquemia aguda de membro é uma emergência vascular que requer intervenção imediata para salvar o membro e, em alguns casos, a vida. A presença de déficits motor e sensitivo indica isquemia grave (estágio IIb ou III de Rutherford), onde a tromboembolectomia cirúrgica é a conduta mais apropriada e rápida para restaurar o fluxo sanguíneo.
A isquemia aguda de membro é uma emergência vascular grave, caracterizada pela súbita interrupção do fluxo sanguíneo arterial para um membro, resultando em hipóxia tecidual e risco de necrose. A etiologia mais comum é a embolia arterial, frequentemente de origem cardíaca, como em pacientes com fibrilação atrial, ou trombose in situ de uma artéria previamente estenosada. O tempo é fator crítico, pois a viabilidade do membro diminui rapidamente após 4-6 horas de isquemia completa. Clinicamente, a isquemia aguda de membro manifesta-se pelos '6 Ps': dor súbita e intensa, palidez, poiquilotermia (frieza), parestesia, paralisia e ausência de pulsos distais. A presença de déficits motor e sensitivo indica um estágio avançado de isquemia (Rutherford IIb ou III), onde a ameaça de perda do membro é iminente. A fisiopatologia envolve a oclusão arterial, que leva à privação de oxigênio e nutrientes, causando disfunção celular e necrose tecidual. O manejo inicial inclui anticoagulação sistêmica com heparina para prevenir a propagação do trombo. No entanto, em casos de isquemia grave com déficits neurológicos, a revascularização imediata é imperativa. A tromboembolectomia cirúrgica é a conduta mais apropriada, pois permite a remoção rápida do êmbolo/trombo e o restabelecimento do fluxo sanguíneo, sendo superior à trombólise em termos de tempo e eficácia para salvar o membro nessas situações críticas.
Os '6 Ps' são dor (Pain), palidez (Pallor), parestesia (Paresthesia), paralisia (Paralysis), poiquilotermia (Poikilothermia) e ausência de pulso (Pulselessness). A presença de parestesia e paralisia indica isquemia grave.
A fibrilação atrial predispõe à formação de trombos no átrio esquerdo devido à estase sanguínea. Esses trombos podem embolizar para a circulação sistêmica, incluindo as artérias dos membros, causando isquemia aguda.
A trombólise utiliza medicamentos para dissolver o trombo, sendo mais lenta e indicada em isquemias menos graves. A tromboembolectomia é um procedimento cirúrgico para remover mecanicamente o trombo/êmbolo, sendo a escolha em isquemias graves com déficits neurológicos, onde a rapidez da revascularização é crucial.
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