Isquemia Aguda de Membro: Diagnóstico e Manejo de Emergência

IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2020

Enunciado

Um paciente de 65 anos procura o pronto-socorro com queixa de dor no pé esquerdo de início súbito há 3 dias, associada a esfriamento e palidez, com piora significativa da dor nas últimas horas. O paciente é hipertenso, em uso irregular de medicação, e tabagista de longa data, com história de claudicação intermitente para cerca de 100 metros. Ao exame, o membro encontra-se pálido e frio, com cianose móvel de artelhos. Além disso, pulso femoral presente bilateralmente; poplíteo e distais ausentes, bilateralmente; diminuição da sensibilidade nos terços médio e distal de pé esquerdo; e diminuição da mobilidade dos artelhos. Sobre esse caso, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) a fibrinólise deve ser considerada possível terapia de escolha para esse paciente
  2. B) a lesão que resultou nesse quadro encontra-se provavelmente te na bifurcação da artéria femoral comum
  3. C) após a revascularização do membro, o paciente possui indicação de anticoagulação por tempo indeterminado
  4. D) se a revascularização for bem-sucedida, o paciente apresentará bom prognóstico, com baixo risco de perda do membro e baixa mortalidade
  5. E) o paciente apresenta ameaça imediata de perda do membro e deve ser encaminhado para revascularização sem arteriografia prévia e as lesões ateroscleróticas já instaladas

Pérola Clínica

Isquemia aguda grave (déficit neuro-motor) = Rutherford IIb → Revascularização de emergência, sem atraso por arteriografia.

Resumo-Chave

A isquemia aguda de membro com déficits neurológicos (sensitivos e/ou motores) é classificada como Rutherford IIb, indicando ameaça iminente de perda do membro. Nesses casos, a revascularização cirúrgica ou endovascular deve ser realizada de emergência, sem atrasos para exames complementares como a arteriografia, que pode ser feita intraoperatoriamente ou omitida para agilizar o procedimento salvador do membro.

Contexto Educacional

A isquemia aguda de membro é uma emergência vascular que resulta da interrupção súbita do fluxo sanguíneo arterial para um membro, levando à hipóxia tecidual e, se não tratada rapidamente, à necrose e perda do membro. As principais causas incluem embolia (geralmente de origem cardíaca, como fibrilação atrial) e trombose in situ de uma artéria já acometida por doença aterosclerótica. O diagnóstico é clínico, baseado nos '6 Ps': dor, palidez, ausência de pulsos, parestesia, paralisia e poiquilotermia. A classificação de Rutherford é fundamental para guiar a conduta. Pacientes com isquemia classe IIb, que apresentam déficits neurológicos (perda de sensibilidade e/ou fraqueza motora), têm ameaça iminente de perda do membro e exigem revascularização de emergência. O tempo de isquemia é o fator prognóstico mais importante; quanto mais rápido o restabelecimento do fluxo, maior a chance de salvamento do membro e menor o risco de complicações como a síndrome de reperfusão. Em casos de isquemia aguda grave (Rutherford IIb), a prioridade é a revascularização imediata. Isso significa que exames complementares que possam atrasar o tratamento, como a arteriografia pré-operatória, devem ser evitados ou realizados de forma a não comprometer o tempo. A arteriografia pode ser feita intraoperatoriamente ou o procedimento iniciado com base na avaliação clínica. Residentes devem estar aptos a reconhecer rapidamente os sinais de isquemia grave e acionar a equipe vascular para garantir o manejo adequado e oportuno, que é crucial para o prognóstico do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os '6 Ps' da isquemia aguda de membro?

Os '6 Ps' da isquemia aguda de membro são: Pain (dor), Pallor (palidez), Pulselessness (ausência de pulsos), Paresthesia (parestesia ou alteração de sensibilidade), Paralysis (paralisia ou fraqueza motora) e Poikilothermia (poiquilotermia ou esfriamento do membro). A presença de parestesia e paralisia indica isquemia grave.

Como a classificação de Rutherford auxilia na conduta da isquemia aguda?

A classificação de Rutherford categoriza a isquemia aguda de membro em viável (I), ameaçada (IIa e IIb) e irreversível (III). A isquemia IIb, caracterizada por dor em repouso, perda sensorial e/ou fraqueza motora, indica ameaça imediata de perda do membro e exige revascularização de emergência sem demora.

Por que a arteriografia pode ser omitida em casos de isquemia aguda grave?

Em casos de isquemia aguda grave (Rutherford IIb), onde há ameaça iminente de perda do membro, o tempo é um fator crítico. A realização de uma arteriografia pré-operatória pode atrasar a revascularização. Nesses cenários, a arteriografia pode ser realizada intraoperatoriamente ou o procedimento de revascularização iniciado com base na avaliação clínica, para minimizar o tempo de isquemia e aumentar as chances de salvamento do membro.

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