Isoimunização Rh: Acompanhamento na Gestação e DHRN

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Paciente de 30 anos, GIII-PII-A0, comparece à consulta pré-natal apresentando teste de Coombs indireto de 1:4; seu Rh é negativo e o do marido é positivo, sendo o mesmo pai das gestações prévias. Ela refere duas cesarianas anteriores sem intercorrências na gestação e com alta após 48 horas, acompanhada do recém-nascido, tendo realizado laqueadura tubária na segunda gravidez. A avaliação da caderneta de acompanhamento de puericultura dos filhos prévios revela primeiro filho com Rh negativo e o segundo com Rh positivo, não sendo realizada imunoprofilaxia na segunda gestação, em virtude da laqueadura tubária. O acompanhamento, nessa gravidez, deve ser realizado inicialmente com:

Alternativas

  1. A) Realização de cordocentese.
  2. B) Dosagem seriada de Coombs indireto.
  3. C) Realização de espectrofotometria de líquido amniótico.
  4. D) Seguimento com dopplerfluxometria de artéria cerebral média.

Pérola Clínica

Coombs indireto reagente em gestante Rh- com parceiro Rh+ → monitorar titulação e dopplerfluxometria da artéria cerebral média.

Resumo-Chave

A paciente é Rh negativo, o marido é Rh positivo e o segundo filho foi Rh positivo, sem imunoprofilaxia anti-D, resultando em isoimunização (Coombs indireto 1:4). O acompanhamento inicial deve ser com dosagem seriada do Coombs indireto para monitorar a titulação de anticorpos, que indica o risco de doença hemolítica fetal. Se a titulação aumentar, outras investigações como dopplerfluxometria da artéria cerebral média serão necessárias.

Contexto Educacional

A isoimunização Rh é uma condição grave que ocorre quando uma gestante Rh negativo é exposta a eritrócitos Rh positivo, geralmente de um feto anterior, desenvolvendo anticorpos que podem atacar os glóbulos vermelhos de um feto Rh positivo subsequente. Isso leva à Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN), que pode variar de anemia leve a hidropsia fetal e óbito. A prevenção com imunoglobulina anti-D revolucionou o manejo dessa condição. A fisiopatologia envolve a passagem de antígenos Rh do feto para a circulação materna, desencadeando uma resposta imune. Em gestações subsequentes com fetos Rh positivo, os anticorpos maternos atravessam a placenta, causando hemólise fetal. O diagnóstico da isoimunização é feito pelo teste de Coombs indireto reagente na mãe. A titulação desses anticorpos é crucial para avaliar o risco de DHRN. O acompanhamento de gestantes isoimunizadas envolve a monitorização seriada da titulação do Coombs indireto. Se a titulação atingir níveis críticos, a dopplerfluxometria da artéria cerebral média (ACM) fetal torna-se o principal método não invasivo para detectar anemia fetal. Em casos de anemia grave, procedimentos invasivos como a cordocentese para avaliação direta do sangue fetal e transfusão intrauterina podem ser necessários. A imunoprofilaxia anti-D é a principal medida preventiva para gestantes Rh negativo não sensibilizadas.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do teste de Coombs indireto na gestação?

O teste de Coombs indireto detecta anticorpos irregulares no soro materno que podem atravessar a placenta e causar hemólise nos eritrócitos fetais, levando à Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN). É crucial para gestantes Rh negativo com parceiro Rh positivo.

Quando a imunoprofilaxia anti-D é indicada?

A imunoprofilaxia anti-D é indicada para gestantes Rh negativo não isoimunizadas em situações de risco de sensibilização, como aborto, gravidez ectópica, sangramento vaginal, amniocentese, cordocentese, trauma abdominal e, rotineiramente, entre 28-32 semanas de gestação e no pós-parto (se o recém-nascido for Rh positivo).

Como é feito o seguimento fetal em casos de isoimunização Rh?

O seguimento fetal em casos de isoimunização Rh envolve a dosagem seriada do Coombs indireto materno. Se a titulação atingir níveis críticos (geralmente 1:16 ou 1:32), a dopplerfluxometria da artéria cerebral média fetal é o método de escolha para detectar anemia fetal, indicando a necessidade de cordocentese e transfusão intrauterina.

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