Isoimunização Rh: Interpretação do Coombs e Profilaxia

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Gertrude tem 26 anos é secundigesta, primipara, moradora da zona rural. Seu parto anterior foi domiciliar feito por parteira, sem complicação, nascendo feto vivo pesando 3.250g que foi amamentado durante 6 meses. Na sua rotina pré-natal com 28semanas descobriu ser A negativo com Coombs indireto positivo. Seu marido, genitor dos seus filhos, faleceu há 2 meses de acidente de motocicleta. Gertrude deu a luz novamente, dessa vez na maternidade, há 48h. O recém-nascido não desenvolveu icterícia. Diante dessas evidências podemos concluir que

Alternativas

  1. A) O genitor era homozigoto para Rh, os dois filhos são Rh positivo, sem necessidade anual de profilaxia da isoimunização;
  2. B) O genitor era heterozigoto para Rh, o primeiro filho Rh negativo, com necessidade atual de profilaxia da iso-imunização;
  3. C) O genitor era homozigito para Rh, o primeiro filho Rh negativo, o segundo filho Rh positivo sem necessidade atual de profilaxia da iso-imunização;
  4. D) O genitor era heterozigoto para Rh, o primeiro filho Rh positivo, o segundo Rh negativo, sem necessidade atual de profilaxia da iso-imunização;
  5. E) O genitor era heterozigoto para Rh, os dois filhos Rh negativos, com necessidade de profilaxia da iso-imunização.

Pérola Clínica

Mãe Rh-, Coombs indireto positivo, RN Rh- → sem isoimunização ativa, mas genitor heterozigoto.

Resumo-Chave

A mãe Rh- com Coombs indireto positivo indica sensibilização prévia. Se o segundo filho é Rh negativo e não desenvolveu icterícia, significa que ele não foi afetado pela isoimunização. O fato de o Coombs ser positivo e o primeiro filho ter sido Rh positivo implica que o pai era heterozigoto (Rr), e o segundo filho herdou o gene r da mãe e do pai, sendo Rh negativo. Não há necessidade de profilaxia anti-Rh para a mãe após o parto de um RN Rh negativo.

Contexto Educacional

A isoimunização Rh é uma condição que ocorre quando uma gestante Rh negativo é exposta a hemácias Rh positivo, geralmente de um feto Rh positivo, levando à produção de anticorpos maternos. Esses anticorpos podem atravessar a placenta em gestações subsequentes e causar a Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN), com icterícia, anemia e, em casos graves, hidropsia fetal. No caso de Gertrude, seu Coombs indireto positivo com 28 semanas indica que ela já estava sensibilizada, provavelmente devido ao parto anterior de um filho Rh positivo. O fato de o segundo filho ser Rh negativo e não ter desenvolvido icterícia é crucial. Isso significa que, embora a mãe estivesse sensibilizada, o bebê não foi afetado porque não possuía o antígeno Rh. Para que um filho seja Rh positivo e outro Rh negativo, o genitor (pai) deve ser heterozigoto para o fator Rh (Rr). A profilaxia com imunoglobulina anti-Rh é fundamental para prevenir a isoimunização em gestantes Rh- não sensibilizadas, administrada em eventos de risco e no pós-parto de recém-nascidos Rh+. No caso de Gertrude, como o segundo filho é Rh negativo, não há necessidade de administrar imunoglobulina anti-Rh no pós-parto atual, pois não há risco de nova sensibilização por este bebê. Residentes devem dominar a interpretação do Coombs e a indicação correta da profilaxia para garantir a segurança materno-fetal.

Perguntas Frequentes

Quando a imunoglobulina anti-Rh (RhoGAM) deve ser administrada?

A imunoglobulina anti-Rh é administrada em gestantes Rh- não sensibilizadas em torno da 28ª semana de gestação e novamente no pós-parto, se o recém-nascido for Rh+. Também é indicada após eventos como aborto, gravidez ectópica, sangramento vaginal ou procedimentos invasivos.

Qual a diferença entre o teste de Coombs direto e indireto?

O Coombs indireto detecta anticorpos anti-Rh no soro materno (sensibilização materna), enquanto o Coombs direto detecta anticorpos aderidos às hemácias do recém-nascido (doença hemolítica ativa no bebê).

Como o genótipo do pai influencia o risco de isoimunização Rh?

Se o pai for homozigoto Rh positivo (DD), todos os filhos serão Rh positivos, e o risco de isoimunização é máximo. Se for heterozigoto Rh positivo (Dd), há 50% de chance de o filho ser Rh positivo e 50% de ser Rh negativo.

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