UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022
Tercigesta (02 partos cesarianas), 32 semanas de gestação, foi encaminhada ao Hospital Universitário Júlio Muller por apresentar um feto com hidropisia. Abandonou o pré-natal, pois ficou com medo de se infectar com COVID-19. Cartão de pré-natal: tipagem sanguínea: A negativo, HIV – não reagente, HCV – não reagente, HbsAg – não reagente, VDRL – não reagente, Coombs Indireto 1:1024, hemoglobina: 11 g/dL, hematócrito: 29,0 %. Glicemia de jejum 88 mg/dL. Imune para toxoplasmose e rubéola. USG obstétrica com Doppler: Feto único, com biometria fetal estimada em 31 semanas (+/- 10 dias), peso fetal 1.705 g (percentil 11). Doppler das artérias umbilicais e cerebrais representados nos gráficos abaixo.Com base no caso e nas tabelas, assinale a afirmativa correta.
Hidropisia fetal por isoimunização Rh com Coombs alto → Transfusão intrauterina para prolongar gestação.
A hidropisia fetal por isoimunização Rh grave em gestante Rh negativo com Coombs indireto alto requer manejo agressivo. A transfusão intrauterina é a principal intervenção para corrigir a anemia fetal, reverter a hidropisia e permitir o prolongamento da gestação até um período de maior viabilidade fetal.
A isoimunização Rh é uma condição grave que ocorre quando uma gestante Rh negativo é exposta a eritrócitos Rh positivo (geralmente do feto) e desenvolve anticorpos anti-Rh. Em gestações subsequentes com fetos Rh positivo, esses anticorpos maternos atravessam a placenta e atacam as hemácias fetais, causando doença hemolítica perinatal (DHP), que pode variar de anemia leve a hidropisia fetal grave e morte intrauterina. O diagnóstico é feito pelo rastreamento da tipagem sanguínea materna e pelo teste de Coombs Indireto, que detecta e quantifica os anticorpos anti-Rh. Títulos elevados de Coombs Indireto, como 1:1024 no caso apresentado, indicam um alto risco de DHP grave. A hidropisia fetal, caracterizada pelo acúmulo anormal de líquido em dois ou mais compartimentos fetais (ascite, derrame pleural, derrame pericárdico, edema de pele), é o estágio mais avançado e grave da anemia fetal. O manejo de fetos com DHP grave e hidropisia envolve a transfusão intrauterina de concentrado de hemácias Rh negativo para corrigir a anemia fetal. Este procedimento visa reverter a hidropisia, melhorar o prognóstico fetal e permitir que a gestação prossiga até um período de maior maturidade pulmonar, geralmente entre 35 e 37 semanas, quando o parto é induzido. A imunoglobulina anti-D, por outro lado, é uma medida preventiva e não tem papel terapêutico uma vez que a sensibilização já ocorreu.
A principal causa é a doença hemolítica perinatal (DHP) devido à isoimunização Rh. Os anticorpos maternos anti-Rh atravessam a placenta e destroem os eritrócitos fetais, causando anemia grave e, consequentemente, hidropisia.
A transfusão intrauterina é indicada quando há anemia fetal grave, evidenciada por hidropisia fetal, Doppler de artéria cerebral média com pico de velocidade sistólica elevado (indicando anemia), ou quando o Coombs Indireto materno atinge títulos críticos e há sinais de comprometimento fetal.
A imunoglobulina anti-D é utilizada para prevenir a sensibilização de gestantes Rh negativas não sensibilizadas. Ela deve ser administrada profilaticamente em situações de risco (ex: 28 semanas de gestação, pós-parto de RN Rh positivo, aborto, sangramento) para evitar que a mãe produza anticorpos anti-Rh. Uma vez sensibilizada, a imunoglobulina não tem efeito.
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