SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Adolescente, 15 anos de idade, vai em ginecologista referindo irregularidade menstrual. Menarca: 14 anos de idade. Nunca teve relações sexuais. Refere fluxo menstrual normal e nega dismenorreia. Trouxe anotações com os ciclos dos últimos meses e seus intervalos entre as menstruações:Considerando que essa é a primeira consulta ginecológica da paciente, o médico deve, também, orientar a paciente quanto à fisiologia do ciclo reprodutivo feminino.Indique a melhor conduta preconizada para o caso:
Irregularidade menstrual nos primeiros 2-3 anos pós-menarca é fisiológica devido à imaturidade do eixo HHO.
A irregularidade menstrual é comum e fisiológica nos primeiros anos após a menarca devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, que ainda está se estabelecendo. Geralmente, não requer intervenção, apenas orientação e tranquilização da paciente.
A menarca, ou primeira menstruação, marca o início da função reprodutiva feminina. No entanto, o estabelecimento de ciclos menstruais regulares não é imediato. É amplamente reconhecido que, nos primeiros 2 a 3 anos após a menarca, a irregularidade menstrual é um fenômeno fisiológico e esperado em adolescentes. Isso ocorre devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO), que ainda está em processo de maturação e não produz ovulações regulares de forma consistente. Durante esse período de transição, os ciclos são frequentemente anovulatórios, o que resulta em variações significativas na duração dos ciclos e na quantidade de sangramento. A conduta inicial em uma adolescente com irregularidade menstrual, sem outros sintomas preocupantes (como sangramento excessivo, dismenorreia grave, sinais de hiperandrogenismo ou comorbidades), deve ser a orientação e tranquilização. É fundamental explicar à paciente e aos pais que essa é uma fase normal do desenvolvimento e que a regularização tende a ocorrer espontaneamente com o tempo. A intervenção médica, como a solicitação de exames hormonais extensos ou a prescrição de contraceptivos hormonais combinados, geralmente não é necessária nesta fase inicial. Tais medidas devem ser reservadas para casos em que a irregularidade persiste além do período fisiológico de maturação, ou quando há sintomas associados que impactam a qualidade de vida ou sugerem uma patologia subjacente. O foco deve ser na educação sobre a fisiologia do ciclo e no acompanhamento clínico.
É comum devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO), que ainda está se desenvolvendo e não produz ciclos ovulatórios regulares, resultando em anovulação e variações nos intervalos menstruais.
A investigação é indicada se a irregularidade persistir por mais de 2-3 anos após a menarca, se houver sangramento excessivo, dismenorreia grave, sinais de hiperandrogenismo ou outras preocupações clínicas.
Contraceptivos hormonais combinados não são a primeira linha para irregularidade fisiológica. Podem ser considerados em casos de sangramento excessivo ou quando há uma condição subjacente que se beneficia da supressão ovariana, após a exclusão de outras causas.
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