AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Um homem de 66 anos, previamente hígido, é submetido a uma ressonância magnética abdominal após queixa de desconforto epigástrico inespecífico. O exame revela cisto pancreático único, medindo 3,8 cm, localizado na cabeça do pâncreas, com nódulo mural realçado medindo 6 mm e dilatação do ducto pancreático principal com 1,2 cm de diâmetro. Não há icterícia clínica, linfadenopatia ou elevação de marcadores tumorais. Com base nos critérios atuais de estratificação de risco para Neoplasia Intraductal Mucinosa Papilífera (NIMP), qual é a conduta mais apropriada?
Ducto pancreático principal > 10mm ou nódulo mural realçado > 5mm = Estigma de alto risco → Cirurgia.
A presença de dilatação do ducto pancreático principal (>10mm) e nódulo mural realçado são critérios de 'High-risk stigmata' no IPMN, indicando necessidade de ressecção cirúrgica imediata.
As Neoplasias Intraductais Mucinosas Papilíferas (IPMN) são lesões precursoras do adenocarcinoma pancreático. Elas podem envolver o ducto principal (MD-IPMN), ductos secundários (BD-IPMN) ou ambos (misto). O MD-IPMN possui um potencial de malignização significativamente maior (36-100%). O Consenso de Fukuoka fornece a base para o manejo, priorizando a detecção de sinais de invasão ou displasia de alto grau. No caso apresentado, a dilatação do DPP de 1,2 cm (12 mm) e o nódulo mural de 6 mm classificam a lesão como de alto risco, justificando a conduta cirúrgica.
Os estigmas de alto risco (high-risk stigmata) incluem icterícia obstrutiva em paciente com cisto na cabeça do pâncreas, componente sólido/nódulo mural realçado ≥ 5 mm e dilatação do ducto pancreático principal (DPP) > 10 mm. Nestes casos, o risco de malignidade é elevado, e a ressecção cirúrgica é geralmente recomendada sem a necessidade de biópsia prévia, desde que o paciente tenha condições cirúrgicas.
Características preocupantes (worrisome features) incluem cistos ≥ 3 cm, paredes espessadas, DPP entre 5-9 mm, nódulo mural não realçado ou crescimento rápido do cisto. Diferente dos estigmas de alto risco, as características preocupantes indicam a necessidade de avaliação complementar com ecoendoscopia (EUS) e punção (FNA) para melhor estratificação antes de decidir pela cirurgia.
Para cistos que não apresentam critérios de alarme, o seguimento é feito com exames de imagem (RM ou TC) em intervalos que variam de 6 meses a 2 anos, dependendo do tamanho inicial do cisto. O acompanhamento visa detectar precocemente o surgimento de novas características que possam sugerir transformação maligna.
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