Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
Uma mulher de 27 anos tem um antecedente de doença de Graves mal controlada com metimazol. Ao indicar o tratamento com iodo radioativo, qual é o evento adverso que, mais provavelmente, deve acontecer?
Tratamento de Graves com iodo radioativo → risco de piora da oftalmopatia de Graves, especialmente em fumantes.
O tratamento da Doença de Graves com iodo radioativo (RAI) é eficaz para o controle do hipertireoidismo, mas pode levar à piora ou aparecimento da oftalmopatia de Graves, uma complicação autoimune que afeta os olhos. Esse risco é maior em pacientes com oftalmopatia preexistente, tabagistas e com níveis elevados de anticorpos TRAb. A administração de corticosteroides pode ser considerada para prevenir ou mitigar essa piora.
A Doença de Graves é a causa mais comum de hipertireoidismo, sendo uma doença autoimune caracterizada pela produção de anticorpos estimuladores do receptor de TSH (TRAb). O tratamento pode incluir medicamentos antitireoidianos (como metimazol), cirurgia (tireoidectomia) ou iodo radioativo (RAI). Para residentes e estudantes, é crucial entender as indicações e, principalmente, os efeitos adversos de cada modalidade terapêutica. O iodo radioativo é uma opção terapêutica eficaz e amplamente utilizada para a Doença de Graves, especialmente em pacientes com bócio pequeno a moderado, falha ou intolerância a medicamentos antitireoidianos, ou recidiva após tratamento medicamentoso. O mecanismo de ação envolve a captação do iodo radioativo pelas células tireoidianas, levando à sua destruição por radiação beta. Embora seja uma terapia segura para o hipertireoidismo, ela não está isenta de riscos. Um dos eventos adversos mais importantes e frequentemente questionados em provas é a piora ou o surgimento da oftalmopatia de Graves. Este fenômeno é mais comum em pacientes com oftalmopatia preexistente, fumantes e com altos níveis de TRAb. Acredita-se que a destruição das células tireoidianas pelo RAI libere antígenos que exacerbam a resposta autoimune nos tecidos orbitários. Para mitigar esse risco, corticosteroides podem ser administrados profilaticamente em pacientes de alto risco. Outros efeitos adversos incluem hipotireoidismo (comum e esperado), tireoidite de radiação (transitória) e, raramente, disfunção das glândulas salivares.
O evento adverso mais provável e clinicamente significativo do tratamento com iodo radioativo para a Doença de Graves é a piora ou o surgimento da oftalmopatia de Graves. Isso ocorre devido à liberação de antígenos tireoidianos após a destruição das células tireoidianas, que podem exacerbar a resposta autoimune nos tecidos orbitários.
Fatores de risco incluem a presença de oftalmopatia preexistente (mesmo que leve), tabagismo ativo, altos níveis de anticorpos TRAb (anticorpos anti-receptor de TSH) e hipertireoidismo mais grave. Pacientes com esses fatores devem ser cuidadosamente avaliados e, em alguns casos, pode-se considerar a profilaxia com corticosteroides.
O manejo envolve monitoramento rigoroso dos sintomas oculares. Em casos de piora, corticosteroides (orais ou intravenosos) são a primeira linha de tratamento para reduzir a inflamação. Outras opções incluem radioterapia orbitária e, em casos graves, cirurgia descompressiva. O controle do tabagismo é fundamental para todos os pacientes.
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