CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Paciente de 25 anos, chega ao pronto socorro com queixa de baixa acuidade visual em ambos os olhos, há cinco dias. Ao exame, apresenta reação de câmara 3+/4+ e vitreíte 4+/4+ em ambos os olhos. O fundo de olho não pôde ser observado. Qual a conduta inicial mais apropriada, dentre as alternativas abaixo?
Vitreíte intensa bilateral → Excluir causas infecciosas (sorologias) antes de corticoides.
Em quadros de uveíte grave com opacidade de meios, a investigação sistêmica é mandatória para descartar infecções tratáveis e evitar complicações por imunossupressão inadvertida.
O manejo de uveítes graves exige uma abordagem sistemática. A presença de vitreíte intensa (4+/4+) impede a visualização do fundo de olho, tornando o diagnóstico clínico desafiador. Nestes casos, a ultrassonografia ocular pode ser útil para avaliar o descolamento de retina ou coroidite, mas o diagnóstico etiológico depende fundamentalmente de exames laboratoriais. A sífilis ocular deve ser sempre considerada em qualquer inflamação intraocular sem causa óbvia, especialmente se bilateral. O rastreio inicial com VDRL e FTA-ABS, juntamente com sorologias para HIV, Toxoplasmose e exames para Tuberculose (PPD ou IGRA), compõe o painel básico. Somente após a exclusão de infecções ativas ou com a devida cobertura antimicrobiana, o uso de corticoides sistêmicos é seguro para controlar a resposta inflamatória imune.
Muitas uveítes posteriores e pan-uveítes são causadas por agentes infecciosos, como Treponema pallidum (sífilis), Toxoplasma gondii e Mycobacterium tuberculosis. O uso de corticoides, especialmente em doses altas ou via intravítrea, sem a cobertura antibiótica adequada em casos infecciosos, pode levar à replicação descontrolada do patógeno e perda irreversível da visão. Por isso, a triagem sorológica é o primeiro passo da conduta apropriada.
As principais etiologias incluem causas infecciosas (sífilis, que é a 'grande imitadora', tuberculose, toxoplasmose atípica e necroses retinianas virais) e causas não infecciosas/autoimunes (sarcoidose, Doença de Vogt-Koyanagi-Harada e linfoma intraocular primário). A bilateralidade e a intensidade da vitreíte sugerem um processo sistêmico que exige investigação laboratorial completa.
O PCR do humor aquoso ou vítreo é uma ferramenta diagnóstica avançada, geralmente reservada para casos onde as sorologias sistêmicas são inconclusivas, em pacientes imunocomprometidos ou quando há suspeita de etiologia viral (Herpes, CMV) que requer confirmação rápida. Não costuma ser a conduta 'inicial' antes de exames de sangue periférico mais simples e abrangentes.
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