Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2025
Agente comunitária solicita, em reunião de equipe, uma consulta para o paciente Mauro, que é irmão da dona Maria, paciente restrita. A agente conta que Mauro, 55 anos, está sentindo dor no corpo, cansaço, perda de apetite e que tem emagrecido bastante. Nega sintomas respiratórios. Trabalha na construção civil há mais de 30 anos, tendo ficado um pouco mais de 2 anos afastado das obras, pois ficou preso por agressão à exmulher. Voltou a trabalhar há quase 2 meses, mas não tem conseguido trabalhar o dia todo. Os exames iniciais a serem solicitados pelo médico que atender Mauro devem ser hemograma, glicemia, colesterol e frações e:
Sintomas constitucionais (emagrecimento, astenia) em paciente com alto risco epidemiológico para TB (ex-privado de liberdade) exigem investigação, mesmo sem tosse.
A tuberculose (TB) nem sempre se apresenta com tosse. Formas extrapulmonares ou paucibacilares podem manifestar-se apenas com sintomas constitucionais. Em um paciente com fatores de risco significativos, como encarceramento prévio, o teste tuberculínico (PPD) é um passo inicial essencial para investigar infecção latente ou ativa como causa do quadro.
A tuberculose (TB) continua sendo um importante problema de saúde pública, especialmente em populações vulneráveis. Embora a forma pulmonar com tosse crônica seja a apresentação mais clássica, a doença pode se manifestar de maneiras diversas, exigindo um alto índice de suspeição clínica. Sintomas constitucionais, como perda de peso, astenia, anorexia e febre vespertina, são comuns na TB e podem ser a única manifestação, especialmente em formas extrapulmonares ou em pacientes imunocomprometidos. Populações com alto risco de exposição e adoecimento, como pessoas que estiveram privadas de liberdade, devem ser avaliadas para TB mesmo na ausência de sintomas respiratórios. O confinamento em ambientes superlotados e mal ventilados facilita a transmissão do bacilo. Nesse contexto, o teste tuberculínico (PPD) ou o ensaio de liberação de interferon-gama (IGRA) são ferramentas fundamentais na investigação inicial. Eles detectam a resposta imune celular ao Mycobacterium tuberculosis, indicando infecção prévia. Um resultado positivo em um paciente sintomático exige uma investigação aprofundada para TB ativa, começando com uma radiografia de tórax. Descartar a possibilidade de TB com base apenas na ausência de tosse é um erro que pode levar a um atraso diagnóstico significativo.
As populações de maior risco incluem pessoas vivendo com HIV/AIDS, populações privadas de liberdade, pessoas em situação de rua, indígenas e profissionais de saúde. Contatos próximos de pacientes com TB bacilífera também são considerados de alto risco.
Um PPD reator indica que o indivíduo teve contato com o M. tuberculosis, mas não diferencia infecção latente (ILTB) de doença ativa. O próximo passo é realizar uma radiografia de tórax e uma avaliação clínica para excluir TB ativa. Se a doença ativa for descartada, o paciente tem diagnóstico de ILTB e pode ser elegível para tratamento (quimioprofilaxia).
Na ILTB, o paciente é assintomático, a radiografia de tórax é normal (ou com cicatriz fibrótica) e os exames bacteriológicos (escarro) são negativos. Na TB ativa, o paciente geralmente apresenta sintomas (tosse, febre, emagrecimento), a radiografia de tórax costuma ter alterações e a pesquisa do bacilo no escarro ou em outros sítios é positiva.
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