SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
A Vigilância Epidemiológica recebe uma notificação da principal Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade com o relato de um aumento incomum no número de pacientes com Gastroenterite Aguda (GEA). Durante um período de 36 horas, 25 pacientes foram atendidos com a condição. A severidade do quadro clínico levou à necessidade de hospitalização para cinco desses pacientes devido à desidratação. Durante o atendimento médico na UPA, vários deles mencionaram ter participado de uma feira gastronômica que vem ocorrendo há 3 dias seguidos, anteriores ao início dos sintomas. A feira conta com a participação de 15 barracas de alimentos distintos com estimativa de 2.000 pessoas ao longo dos 3 dias de evento. Com a responsabilidade de investigação do cluster de GEA e com base nas informações preliminares disponíveis, assinale a alternativa correta acerca de ações tecnicamente apropriadas e prioritárias para a fase inicial da investigação epidemiológica:
1ª etapa da investigação de surto = Confirmar diagnóstico + Confirmar existência do surto (série histórica).
Antes de realizar estudos analíticos ou intervenções sanitárias drásticas, deve-se validar se o número de casos excede o esperado para a região e período.
A investigação de surtos epidemiológicos segue um roteiro sistemático para garantir a precisão das intervenções de saúde pública. O primeiro passo é sempre a confirmação do diagnóstico e da existência do surto, comparando os dados atuais com a série histórica (diagrama de controle) para verificar se o número de casos ultrapassa o limite superior esperado. Essa etapa evita o desperdício de recursos em situações que podem ser apenas variações sazonais. A caracterização epidemiológica descritiva (tempo, lugar e pessoa) precede qualquer estudo analítico. No caso de gastroenterites em eventos, a coleta de dados clínicos e o cruzamento de informações sobre o consumo de alimentos são cruciais. Medidas punitivas ou de interdição cautelar, embora importantes, devem ser baseadas em evidências preliminares sólidas para evitar danos econômicos injustificados e pânico na população.
Um surto é caracterizado por uma elevação repentina e inesperada do número de casos de uma determinada doença em uma área geográfica restrita ou em um grupo específico de pessoas (como participantes de um evento ou alunos de uma escola). A epidemia, por outro lado, ocorre quando esse aumento ultrapassa o limiar endêmico em regiões mais amplas, como municípios ou estados. A investigação inicial para ambos é semelhante, focando primordialmente na confirmação de que a ocorrência é atípica e não apenas uma flutuação sazonal esperada.
A revisão de prontuários é uma etapa fundamental para a confirmação diagnóstica e para a construção da 'definição de caso'. Isso permite que a equipe de vigilância verifique a consistência dos sinais e sintomas entre os pacientes notificados, descartando erros de diagnóstico ou casos que não se encaixam no perfil do evento investigado. Sem essa validação, a investigação pode ser direcionada erroneamente por dados imprecisos, comprometendo a identificação da fonte de infecção e a eficácia das medidas de controle subsequentes.
O estudo analítico, como o caso-controle, é indicado após a conclusão da fase descritiva da investigação (que define quem foi afetado, onde e quando). Ele é utilizado para testar hipóteses específicas sobre a fonte de infecção ou o veículo de transmissão (por exemplo, um alimento específico servido na feira). Recrutar casos (doentes) e controles (pessoas expostas que não adoeceram) permite calcular a razão de chances (Odds Ratio) e identificar estatisticamente o fator de risco, mas isso só deve ocorrer após a confirmação de que o surto é real.
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