Investigação de Surtos Alimentares: Taxa de Ataque

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Na Enfermaria de um quartel militar constatou-se um aumento súbito de casos de afecções entéricas. Foram identificados 180 indivíduos adultos, do sexo masculino, que apresentaram às 14h (mediana do tempo de início dos sintomas) do dia 13 de janeiro de 2015, quadro de diarreia frequente e não volumosa, contendo pus ou sangue, dores abdominais intensas e febre. Não foram detectados casos de maior gravidade. Todos os doentes haviam participado de um jantar comemorativo ocorrido no quartel no dia anterior. Estavam presentes no jantar 220 pessoas. Após a investigação, o fato foi considerado um Surto de Doença Diarreica Aguda por transmissão alimentar. Duas possíveis fontes de infecção foram identificadas, conforme tabela a seguir: (VER IMAGEM) Analisando os dados do surto epidêmico e a tabela acima, é correto concluir-se que:

Alternativas

  1. A) a ingestão de frango associada à ingestão de ovos diminuiu a probabilidade de adoecimento durante o surto epidêmico avaliado.
  2. B) o ovo pode ser apontado como o alimento com maior probabilidade de ser a fonte de contaminação do surto epidêmico descrito
  3. C) a ingestão de frango associada à ingestão de ovos aumentou a probabilidade de adoecimento durante o surto epidêmico avaliado.
  4. D) o frango pode ser apontado como o alimento com maior probabilidade de ser a fonte de contaminação do surto epidêmico descrito.

Pérola Clínica

Em surtos alimentares, o veículo provável é o alimento com a maior diferença na taxa de ataque entre expostos e não expostos.

Resumo-Chave

A investigação epidemiológica de surtos utiliza a taxa de ataque para identificar o alimento responsável, comparando a incidência da doença entre quem consumiu e quem não consumiu cada item suspeito.

Contexto Educacional

A investigação de surtos de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTA) é um pilar fundamental da saúde pública e da medicina preventiva. Quando ocorre um aumento súbito de casos de diarreia em uma comunidade fechada, como um quartel militar, a prioridade é identificar o veículo comum de transmissão. A análise estatística através da taxa de ataque permite isolar variáveis e confirmar qual alimento apresenta a maior associação epidemiológica com o desfecho clínico. No caso descrito, a presença de sintomas invasivos (pus, sangue, febre) aponta para uma contaminação bacteriana significativa. A interpretação correta dos dados de exposição é essencial para que a vigilância sanitária possa intervir na cadeia de produção ou manipulação dos alimentos, corrigindo falhas de higiene ou armazenamento. O domínio dessas ferramentas epidemiológicas é indispensável para médicos residentes, especialmente aqueles atuando em áreas de saúde coletiva ou gestão hospitalar.

Perguntas Frequentes

O que é a taxa de ataque em epidemiologia?

A taxa de ataque é uma forma específica de medida de incidência acumulada, utilizada em populações bem definidas que foram expostas a um risco por um período limitado, como em surtos alimentares. Ela é calculada dividindo o número de novos casos pelo número total de pessoas expostas ao fator de risco (ex: um alimento específico). Comparar as taxas de ataque entre o grupo que consumiu o alimento e o grupo que não consumiu permite identificar a fonte mais provável da infecção.

Quais patógenos causam diarreia com pus e sangue?

Diarreia com presença de pus, muco ou sangue (disenteria) associada a febre e dor abdominal sugere a ação de patógenos invasivos ou produtores de citotoxinas. Os principais agentes etiológicos incluem *Shigella spp.*, *Salmonella enterica* (sorotipos não tifoide), *Campylobacter jejuni*, *Escherichia coli* enteroinvasiva (EIEC) e *Escherichia coli* entero-hemorrágica (EHEC). O quadro clínico e o período de incubação ajudam a direcionar a suspeita diagnóstica durante a investigação do surto.

Quais os passos de uma investigação de surto alimentar?

A investigação segue passos sistemáticos: 1) Confirmar a existência do surto; 2) Verificar o diagnóstico; 3) Definir e identificar casos; 4) Descrever o surto em termos de tempo, lugar e pessoa (curva epidêmica); 5) Desenvolver e testar hipóteses (estudos analíticos como coorte ou caso-controle); 6) Executar medidas de controle; 7) Comunicar os resultados para prevenir novos episódios.

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