Sangramento Digestivo em Idosos: Investigação e Conduta

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Um homem de 62 anos de idade, sem comorbidades, foi ao consultório. Levou consigo ultrassonografia, com o laudo compatível com colelitíase, com cálculo de 2 cm. Tinha queixa de alteração do hábito intestinal, empachamento, dor em todo o abdome e sangramento nas fezes intermitente. Exame abdominal sem alterações. Exame proctológico apresentou hemorroida grau 1. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta a ser adotada no momento.

Alternativas

  1. A) indicar colecistectomia e, posteriormente, hemorroidectomia
  2. B) indicar colecistectomia e tratar clinicamente a doença hemorroidária
  3. C) indicar hemorroidectomia e, posteriormente, colecistectomia
  4. D) tratar clinicamente a doença hemorroidária, prosseguir a investigação com TC de abdome total e, caso a TC seja normal, indicar a colecistectomia
  5. E) prosseguir a investigação com endoscopia digestiva alta e colonoscopia e tratar clinicamente a doença hemorroidária

Pérola Clínica

Sangramento digestivo + alteração hábito intestinal em >60 anos → investigar malignidade (EDA/colonoscopia).

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com sintomas gastrointestinais inespecíficos como alteração do hábito intestinal e sangramento nas fezes, mesmo com achados benignos como colelitíase e hemorroidas, é mandatório investigar causas mais graves, como neoplasias do trato gastrointestinal, através de endoscopia digestiva alta e colonoscopia.

Contexto Educacional

Em pacientes idosos, a apresentação de sintomas gastrointestinais inespecíficos como alteração do hábito intestinal, empachamento, dor abdominal difusa e sangramento nas fezes intermitente deve sempre levantar a suspeita de condições mais graves, como neoplasias do trato gastrointestinal. Mesmo na presença de achados benignos, como colelitíase e hemorroidas grau 1, é crucial não atribuir todos os sintomas a essas condições. A colelitíase, especialmente com cálculo de 2 cm, pode ser assintomática ou causar cólica biliar, mas não justifica a alteração do hábito intestinal ou sangramento. As hemorroidas grau 1 podem sangrar, mas não explicam a totalidade do quadro. A idade do paciente (62 anos) é um fator de risco importante para câncer colorretal e outras malignidades gastrointestinais. Portanto, a conduta mais adequada é prosseguir com uma investigação completa do trato gastrointestinal, incluindo endoscopia digestiva alta (EDA) e colonoscopia, para excluir causas malignas ou outras patologias significativas. O tratamento da doença hemorroidária pode ser clínico inicialmente, enquanto a colecistectomia para colelitíase assintomática não é uma urgência e deve ser considerada após a exclusão de outras causas para os sintomas.

Perguntas Frequentes

Quais sintomas gastrointestinais em idosos exigem investigação aprofundada?

Sintomas como alteração do hábito intestinal, sangramento nas fezes, perda de peso inexplicada, dor abdominal persistente ou anemia ferropriva em idosos exigem investigação aprofundada para excluir malignidades.

Por que a colelitíase e hemorroidas não explicam todos os sintomas neste caso?

A colelitíase de 2 cm geralmente é assintomática ou causa cólica biliar específica. Hemorroidas grau 1 podem causar sangramento, mas não explicam alteração do hábito intestinal, empachamento ou dor abdominal difusa, que sugerem outras patologias.

Qual a importância da endoscopia digestiva alta e colonoscopia neste cenário?

A endoscopia digestiva alta e a colonoscopia são essenciais para investigar a causa do sangramento digestivo e dos sintomas inespecíficos, permitindo o diagnóstico precoce de condições como câncer colorretal ou gástrico, que são mais prevalentes em idosos.

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