SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Uma paciente de 30 anos de idade apresentou cansaço extremo, palidez e hematomas espontâneos. Ao exame físico, observou-se a presença de petéquias nos membros inferiores. Os exames laboratoriais mostraram plaquetas 30.000/mm², hemoglobina de 8 g/dL. e creatinina normal. O teste de Coombs direto evidenciou resultado negativo. Qual é a conduta inicial mais adequada para o caso apresentado?
Pancitopenia (Hb ↓ + Plaq ↓) + Coombs (-) → Investigar etiologia (medula/periferia) antes de tratar.
A presença de bicitopenia (anemia e plaquetopenia) com Coombs negativo afasta hemólise autoimune isolada ou síndrome de Evans, exigindo investigação sistêmica ou medular para definir a causa base.
A pancitopenia é um achado clínico que reflete a redução de duas ou mais linhagens celulares no sangue periférico. No contexto de uma paciente jovem com petéquias e cansaço, a prioridade é diferenciar entre falência medular (como anemia aplásica ou leucemias) e destruição periférica excessiva. A normalidade da creatinina ajuda a afastar, inicialmente, síndromes como a SHU (Síndrome Hemolítico-Urêmica). O raciocínio clínico deve ser estruturado: primeiro confirma-se a citopenia, depois avalia-se a presença de hemólise ou sinais de regeneração (reticulócitos). A ausência de uma causa óbvia para a queda de múltiplas linhagens obriga o médico a buscar o diagnóstico definitivo antes de intervenções que possam mascarar o quadro, como o uso de esteroides.
O teste de Coombs direto negativo ajuda a descartar a anemia hemolítica autoimune. Em pacientes com plaquetopenia associada, um Coombs positivo sugeriria Síndrome de Evans. Sendo negativo, a bicitopenia (anemia e plaquetopenia) aponta para outras causas, como infiltração medular, aplasia ou hiperesplenismo, tornando a investigação diagnóstica a prioridade absoluta.
A investigação deve incluir a análise do esfregaço de sangue periférico (para ver se há blastos ou esquizócitos), contagem de reticulócitos, dosagem de vitamina B12 e ácido fólico, sorologias virais (HIV, Hepatites, B19) e, frequentemente, o aspirado ou biópsia de medula óssea para avaliar a celularidade e descartar neoplasias hematológicas.
Geralmente, a transfusão profilática de plaquetas é indicada apenas quando os níveis estão abaixo de 10.000/mm³. Com 30.000/mm³, a transfusão só é indicada se houver sangramento ativo grave ou necessidade de procedimento cirúrgico iminente. O foco deve ser tratar a causa base.
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