HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Homem, 48 anos de idade, apresenta micro-hematúria assintomática em exame de urina tipo I. Relata ser ex-tabagista 15 anos/maço, tendo cessado há dois anos. Qual exame diagnóstico deve ser solicitado para este paciente?
Micro-hematúria assintomática + fator de risco (tabagismo) → Cistoscopia para excluir neoplasia urotelial.
A presença de micro-hematúria assintomática em pacientes com fatores de risco para câncer urotelial, como o tabagismo, exige uma investigação aprofundada. A cistoscopia é fundamental para visualizar diretamente a bexiga e a uretra, permitindo a detecção precoce de lesões malignas.
A micro-hematúria assintomática é a presença de três ou mais eritrócitos por campo de grande aumento em duas de três amostras de urina, na ausência de infecção ou outras causas benignas óbvias. Sua importância reside na possibilidade de ser o único sinal de uma doença urológica grave, incluindo neoplasias uroteliais. A epidemiologia mostra que a prevalência aumenta com a idade e é significativamente maior em tabagistas. A investigação deve ser guiada pelos fatores de risco do paciente. Em indivíduos com idade > 35 anos ou com fatores de risco (como tabagismo, exposição a químicos, história de irradiação pélvica), a cistoscopia é o exame padrão-ouro para avaliar a bexiga e a uretra, complementada por exames de imagem do trato urinário superior (geralmente Urografia por TC). A fisiopatologia do câncer urotelial está ligada à exposição crônica a carcinógenos, como os presentes na fumaça do cigarro, que causam mutações nas células do urotélio. O tratamento dependerá do diagnóstico. Se uma neoplasia for detectada, o manejo varia desde ressecção transuretral até cistectomia, dependendo do estágio e grau do tumor. O prognóstico é melhor com a detecção precoce, reforçando a importância da investigação adequada. A cistoscopia permite a biópsia de lesões suspeitas, essencial para o estadiamento e planejamento terapêutico.
Os principais fatores de risco incluem tabagismo (atual ou prévio), exposição ocupacional a aminas aromáticas, idade avançada, história de irradiação pélvica e uso crônico de ciclofosfamida ou fenacetina.
A citologia urinária é mais útil em pacientes com hematúria macroscópica ou com alto risco para carcinoma in situ, mas possui baixa sensibilidade para tumores de baixo grau e não substitui a cistoscopia em pacientes de risco.
A ultrassonografia é útil para avaliar o trato urinário superior (rins) e pode detectar grandes massas vesicais, mas é limitada para lesões pequenas, planas ou na uretra, não sendo suficiente para excluir neoplasia urotelial em pacientes de risco.
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