Infertilidade: Guia Completo de Investigação e Conduta

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Aline, 37 anos, hígida, nuligesta, procura atendimento no ambulatório de Ginecologia referindo desejo de gestar há 7 meses. Utiliza aplicativo para controle do período fértil e refere ter ciclos menstruais regulares, com duração média de 29 dias. Seu parceiro, Tiago, é saudável e tem uma filha de 2 anos, de seu relacionamento anterior. O casal mantém relações cerca de três vezes por semana. A respeito da investigação das causas de infertilidade, analisar os itens abaixo:I. A avaliação do fator tuboperitoneal pode ser realizada por histerossalpingografia, histerossonografia ou videolaparoscopia.II. O casal não tem indicação de investigação neste momento, visto que não completou 12 meses de tentativas de engravidar.III. Deve ser solicitada triagem para doenças infecciosas: VDRL, HBsAg, Anti-HCV, Anti-HIV, HTLV I/II e Clamídia.IV. Em virtude de Tiago ter uma filha pequena, não é necessária a realização de espermograma. Estão CORRETOS:

Alternativas

  1. A) Somente os itens I e II.
  2. B) Somente os itens I e III.
  3. C) Somente os itens I, III e IV.
  4. D) Somente os itens II, III e IV.

Pérola Clínica

Infertilidade >35 anos: investigar após 6 meses de tentativa; espermograma sempre inicial.

Resumo-Chave

A investigação da infertilidade em mulheres com mais de 35 anos deve ser iniciada após 6 meses de tentativas, e não 12 meses. O espermograma é um exame fundamental na avaliação do fator masculino, independentemente de o parceiro já ter filhos.

Contexto Educacional

A infertilidade é definida como a ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares e sem proteção para mulheres com menos de 35 anos, ou após 6 meses para mulheres com 35 anos ou mais. É uma condição que afeta cerca de 15% dos casais e exige uma abordagem sistemática para identificar as causas, que podem ser femininas, masculinas ou combinadas. A investigação precoce em pacientes mais velhas é crucial devido ao declínio da reserva ovariana. A avaliação da infertilidade envolve a análise de diversos fatores. No fator feminino, inclui a ovulação (dosagens hormonais, ultrassonografia), o fator tuboperitoneal (histerossalpingografia, histerossonografia) e o fator uterino (ultrassonografia, histeroscopia). No fator masculino, o espermograma é o exame inicial e mais importante, avaliando a quantidade, motilidade e morfologia dos espermatozoides. A triagem para doenças infecciosas, como VDRL, HBsAg, Anti-HCV, Anti-HIV, HTLV I/II e Clamídia, é fundamental para ambos os parceiros antes de qualquer procedimento ou tratamento. O tratamento da infertilidade é individualizado e depende da causa identificada, podendo variar desde mudanças no estilo de vida, indução da ovulação, cirurgias para correção de anomalias anatômicas, até técnicas de reprodução assistida como a fertilização in vitro (FIV). É essencial que o casal seja acolhido e orientado sobre todas as etapas da investigação e opções terapêuticas, considerando os aspectos emocionais e sociais envolvidos.

Perguntas Frequentes

Quando iniciar a investigação da infertilidade em mulheres?

Para mulheres com menos de 35 anos, a investigação inicia após 12 meses de tentativas. Para mulheres com 35 anos ou mais, ou com fatores de risco conhecidos, a investigação deve começar após 6 meses.

Quais exames avaliam o fator tuboperitoneal na infertilidade?

A avaliação do fator tuboperitoneal pode ser realizada por histerossalpingografia, histerossonografia com contraste e, em casos selecionados, por videolaparoscopia diagnóstica.

É necessário realizar espermograma se o parceiro já tem filhos?

Sim, o espermograma é um exame básico e indispensável na investigação da infertilidade masculina, mesmo que o parceiro já tenha tido filhos em relacionamentos anteriores, pois a fertilidade pode mudar ao longo do tempo.

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