CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2020
Ao avaliar um paciente com esteatose hepática, o que fazer em um primeiro momento?
Esteatose hepática → Sempre investigar causas etiológicas antes de tranquilizar ou tratar.
A esteatose hepática é um achado comum, mas não deve ser subestimada. A conduta inicial é fundamentalmente investigativa para identificar a etiologia subjacente, que pode variar desde causas metabólicas (DHGNA) até secundárias (álcool, medicamentos, hepatites virais), direcionando assim o tratamento adequado e o prognóstico.
A esteatose hepática, ou fígado gorduroso, é uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células hepáticas. É um achado comum em exames de imagem e sua prevalência tem aumentado globalmente, principalmente devido à epidemia de obesidade e síndrome metabólica. A importância clínica reside no fato de que, embora muitas vezes benigna, pode progredir para esteato-hepatite, fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular, sendo uma das principais causas de doença hepática crônica. O diagnóstico inicial da esteatose é frequentemente incidental, por ultrassonografia abdominal. No entanto, a conduta primordial após a detecção é a investigação das possíveis causas etiológicas. Isso envolve uma anamnese detalhada sobre consumo de álcool, uso de medicamentos, histórico de diabetes, dislipidemia, hipertensão e outras comorbidades, além de exames laboratoriais para avaliar função hepática, perfil lipídico, glicemia, sorologias virais e autoanticorpos. Essa abordagem permite diferenciar entre a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) e outras etiologias, que demandam manejos específicos. O tratamento da esteatose hepática é etiológico. Para a DHGNA, as intervenções focam em modificações do estilo de vida, como perda de peso, dieta saudável e exercícios físicos. Medicamentos como pioglitazona e vitamina E podem ser considerados em casos selecionados de esteato-hepatite não cirrótica, mas não são a conduta inicial para todos os pacientes. A biópsia hepática é um procedimento invasivo e não é rotineiramente indicada, sendo reservada para situações de incerteza diagnóstica ou para estadiamento de fibrose avançada. Portanto, a investigação cuidadosa é a chave para um manejo eficaz e para prevenir a progressão da doença.
As principais causas incluem a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), associada à síndrome metabólica, e a doença hepática alcoólica. Outras causas importantes são medicamentos (corticoides, amiodarona), hepatites virais crônicas, doença de Wilson e desnutrição.
A biópsia hepática não é a conduta inicial e é reservada para casos onde há dúvida diagnóstica, suspeita de outras doenças hepáticas concomitantes, ou para estadiamento da fibrose em pacientes com DHGNA avançada, especialmente quando métodos não invasivos são inconclusivos.
A investigação etiológica é crucial para identificar a causa subjacente, pois o tratamento é direcionado à etiologia. Por exemplo, a DHGNA requer mudanças no estilo de vida, enquanto a esteatose alcoólica exige abstinência. Ignorar a causa pode levar à progressão da doença hepática.
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