UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Mulher de 64 anos de idade, HAS há 15 anos em uso de enalapril, dislipidemia em uso de atorvastastina e com arritmia em uso de amiodarona, procurou pronto-socorro por perda de força muscular no membro superior direito há uma hora. Foi realizada TC de crânio e exames laboratoriais com resultados normais. Paciente submetida à trombólise sem intercorrências. Ressonância nuclear magnética de crânio evidenciou AVC isquêmico. ECG ritmo sinusal. Função renal normal, glicemia normal, LDL colesterol 64mg/dL, triglicérides 145 mg/dL. PA 120x80mmHg, FC 64bpm.Prescrição Médica no 5º dia de internação:- SF 0,9% 500ml 12/12h- Enalapril 20mg 2x/dia- Omeprazol 20mg 1x/dia - Atorvastatina 80mg 1x/dia- Amiodarona 200mg 2x/dia - Controle de glicemia capilar e temperaturaCite 3 exames complementares para a investigação da causa do AVC:Cite dois medicamentos a serem incluídos na prescrição médica deste paciente:
AVC isquêmico sem causa clara → investigar FA oculta (Holter) e fonte embólica (ECO TE, Doppler carótidas).
A investigação etiológica do AVC isquêmico é crucial para a prevenção secundária. Mesmo com exames iniciais normais, causas como fibrilação atrial paroxística ou aterosclerose de grandes vasos devem ser ativamente pesquisadas para direcionar a terapia.
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico é uma das principais causas de morbimortalidade global, e sua investigação etiológica é um pilar fundamental na prática médica, especialmente para residentes. A identificação da causa subjacente é crucial para a implementação de estratégias de prevenção secundária eficazes, visando evitar a recorrência do evento. A fisiopatologia do AVC isquêmico é multifatorial, incluindo aterosclerose de grandes vasos, doença de pequenos vasos, cardioembolismo (principalmente fibrilação atrial) e causas raras. O diagnóstico etiológico muitas vezes requer uma bateria de exames complementares, mesmo após uma TC de crânio e exames laboratoriais iniciais normais. A suspeita de fibrilação atrial paroxística exige monitorização cardíaca prolongada (Holter), enquanto a busca por fontes embólicas cardíacas pode necessitar de ecocardiograma transesofágico. A avaliação da circulação carotídea com ultrassom Doppler é indispensável para identificar estenoses significativas. O tratamento e a prevenção secundária do AVC isquêmico são individualizados. Pacientes com AVC isquêmico de etiologia indeterminada (criptogênico) ou aterotrombótica geralmente se beneficiam de antiagregação plaquetária (AAS ou Clopidogrel). Em casos de cardioembolismo, a anticoagulação é a terapia de escolha. O controle rigoroso dos fatores de risco, como hipertensão arterial (com enalapril, por exemplo), dislipidemia (com estatinas de alta intensidade como atorvastatina 80mg) e diabetes, é mandatório. A amiodarona, embora usada para arritmia, não previne AVC em ritmo sinusal, e a paciente já a utilizava.
Exames essenciais incluem Holter de 24h ou mais para detectar fibrilação atrial paroxística, ecocardiograma transesofágico para fontes embólicas cardíacas e ultrassom Doppler de carótidas para doença aterosclerótica.
A prevenção secundária geralmente inclui um antiagregante plaquetário (como AAS ou Clopidogrel) se não houver indicação de anticoagulação, e uma estatina de alta intensidade (como Atorvastatina 80mg) para controle lipídico e estabilização de placa.
A investigação da causa é fundamental para implementar a prevenção secundária adequada, que pode envolver antiagregação, anticoagulação, controle de fatores de risco ou intervenção cirúrgica, reduzindo significativamente o risco de um novo evento.
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