Dispneia Crônica: Investigação de DPOC em Não Fumantes

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2023

Enunciado

Homem 65 anos, foi encaminhado pelo cardiologista para investigação de dispneia. Sem história pregressa de doença respiratória ou atopia. Há 5 anos refere dispneia que progrediu de grandes aos médios esforços. Mais recentemente referiu episódios de dispneia noturna e alguns episódios de tosse pouco produtiva com expectoração clara. Nega hemoptise ou emagrecimento. Nega tabagismo ou etilismo. Avaliação cardiológica normal. Em relação ao diagnóstico para o quadro apesentado, marque a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) DPOC não pode ser afastada, e deve investigada com melhor anamnese e espirometria.
  2. B) O diagnóstico de asma deve ser feito como 1a hipótese, devendo ser investigada.
  3. C) A dosagem de alfa-1 Antitripsina é desnecessária pelo fato de ter mais que 60 anos.
  4. D) A tomografia de tórax deve ser deixada para um segundo tempo da investigação.

Pérola Clínica

Dispneia crônica progressiva + tosse, mesmo sem tabagismo, exige investigação de DPOC com espirometria.

Resumo-Chave

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) não é exclusiva de tabagistas. Outras exposições (poluição, biomassa) podem causar a doença. A dispneia progressiva e tosse são sintomas cardinais, e a espirometria é essencial para o diagnóstico, mesmo em pacientes sem história de tabagismo.

Contexto Educacional

A dispneia é um sintoma comum e desafiador na prática clínica, especialmente quando crônica e progressiva. A investigação de sua etiologia requer uma abordagem sistemática, considerando tanto causas cardíacas quanto pulmonares. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição prevalente, caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo, geralmente progressiva e associada a uma resposta inflamatória crônica das vias aéreas e do pulmão a partículas ou gases nocivos. A fisiopatologia da DPOC envolve inflamação crônica, destruição do parênquima pulmonar (enfisema) e remodelamento das vias aéreas (bronquiolite obstrutiva). Embora o tabagismo seja o principal fator de risco, a DPOC pode ocorrer em não tabagistas devido a outras exposições ambientais ou genéticas (como a deficiência de alfa-1 antitripsina). O diagnóstico de DPOC é confirmado pela espirometria, que demonstra obstrução persistente ao fluxo aéreo (VEF1/CVF < 0,7 pós-broncodilatador). A suspeita deve surgir em pacientes com dispneia, tosse crônica ou expectoração, especialmente se progressivos. O tratamento da DPOC visa aliviar sintomas, reduzir a frequência e gravidade das exacerbações e melhorar a qualidade de vida. Inclui broncodilatadores, reabilitação pulmonar e, em casos selecionados, oxigenoterapia. O prognóstico é variável e depende da gravidade da doença e da adesão ao tratamento. É fundamental que residentes e estudantes não excluam DPOC apenas pela ausência de tabagismo e sempre considerem a espirometria como ferramenta diagnóstica essencial na investigação da dispneia crônica.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de dispneia crônica em adultos?

As principais causas de dispneia crônica incluem doenças cardíacas (insuficiência cardíaca), doenças pulmonares (DPOC, asma, fibrose pulmonar, doenças intersticiais), anemia, obesidade e ansiedade. Uma avaliação completa é necessária para diferenciar a etiologia.

É possível ter DPOC sem nunca ter fumado?

Sim, é possível ter DPOC sem histórico de tabagismo. Fatores como exposição à poluição do ar, fumaça de biomassa (lenha), poeiras ocupacionais e deficiência de alfa-1 antitripsina são causas conhecidas de DPOC em não fumantes. A espirometria é crucial para o diagnóstico.

Qual o papel da espirometria na investigação da dispneia?

A espirometria é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de doenças obstrutivas e restritivas pulmonares. Na investigação da dispneia, ela ajuda a identificar obstrução ao fluxo aéreo (característica da DPOC e asma) e a quantificar a gravidade, sendo indispensável para confirmar ou afastar o diagnóstico de DPOC.

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