Investigação de Contatos na Tuberculose Pulmonar

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2015

Enunciado

Homem, 34 anos de idade, boliviano, com três filhos menores de idade e esposa, também boliviana, morando todos no mesmo domicílio, um apartamento de quarto e sala, apresenta quadro de tosse produtiva há 6 semanas e é atendido na Unidade de Pronto Atendimento, UPA. O paciente se alimenta mal e não fuma, embora trabalhe cerca de 10 horas por dia em uma confecção de roupas com outros cinco conterrâneos, dos quais três são fumantes. A situação do paciente é irregular no Brasil, trabalhando em atividade informal, sem carteira assinada, razão pela qual não procurou atendimento médico antes. Um RX de tórax realizado na UPA mostra imagem de cavitação em ápice de pulmão esquerdo. Diante do exposto, identifique, nesse caso, para fins de Vigilância Epidemiológica, os considerados contactantes.

Alternativas

Pérola Clínica

Contato de TB = exposição em ambiente fechado, prolongado e com alta carga bacilar (cavitação).

Resumo-Chave

A investigação de contatos visa identificar infecção latente ou doença ativa em todos que compartilham o domicílio e o ambiente de trabalho insalubre com o caso índice.

Contexto Educacional

A tuberculose continua sendo um desafio de saúde pública, especialmente em populações vulneráveis e imigrantes em situações de precariedade laboral. A vigilância epidemiológica atua na quebra da cadeia de transmissão através da busca ativa. O caso ilustra a importância de considerar o ambiente de trabalho como local de risco, especialmente em setores como o têxtil, onde a ventilação costuma ser inadequada e a carga horária extensa. O manejo adequado envolve não apenas o tratamento do caso índice, mas a avaliação criteriosa de todos os contatos. A identificação da Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) e o tratamento preventivo são pilares para a eliminação da doença, reduzindo a probabilidade de reativação futura. O médico deve estar atento às barreiras de acesso à saúde enfrentadas por pacientes em situação irregular, garantindo o sigilo e a continuidade do cuidado.

Perguntas Frequentes

Quem é considerado contato de um caso de tuberculose?

É considerada contato toda pessoa que convive no mesmo ambiente que o caso de tuberculose (índice) no momento do diagnóstico. A prioridade de investigação é dada aos contatos domiciliares e àqueles com exposição prolongada (geralmente > 200 horas) em ambientes fechados, como locais de trabalho ou instituições. No caso clínico, tanto a esposa e os filhos quanto os cinco colegas de trabalho da confecção são considerados contatos devido à carga bacilar sugerida pela cavitação e ao tempo de exposição diária de 10 horas.

Como deve ser feita a triagem inicial dos contatos?

A triagem inicial deve focar na identificação de sintomas respiratórios (tosse, febre, sudorese noturna). Sintomáticos devem realizar baciloscopia ou Teste Rápido Molecular (TRM-TB) e radiografia de tórax imediatamente. Assintomáticos devem realizar a prova tuberculínica (PPD) ou o IGRA para avaliar a presença de Infecção Latente por Tuberculose (ILTB). Se o PPD for positivo e a radiografia de tórax normal, o tratamento da ILTB deve ser considerado conforme a idade e comorbidades.

Qual a relevância da cavitação no ápice pulmonar para a vigilância?

A presença de cavitação no RX de tórax é um marcador de alta carga bacilar e maior infectividade. Pacientes com formas cavitárias tendem a eliminar uma quantidade significativamente maior de bacilos de Koch (Mycobacterium tuberculosis) pela tosse, aumentando o risco de transmissão para os contatos. Isso torna a busca ativa e a investigação de todos os indivíduos expostos ainda mais urgente para interromper a cadeia de transmissão na comunidade.

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