Tuberculose e HIV: Investigação de Contatos na Atenção Primária

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Homem jovem, morador de uma comunidade carente, reside com seis familiares, entre eles, duas crianças de 3 e 10 anos. Ele faz acompanhamento irregularmente para SIDA em unidade básica de saúde e, há um mês, foi diagnosticado com tuberculose pulmonar. Considerando esse contexto, o médico de família deve:

Alternativas

  1. A) prescrever tratamento diretamente observado a cada trimestre de uso da medicação, com a supervisão da tomada dos medicamentos sendo realizada pela equipe de enfermagem na unidade de saúde.
  2. B) identificar infecção latente por tuberculose nos contatos assintomáticos e avaliar os sintomáticos respiratórios com exame baciloscópico de escarro e raio X de tórax.
  3. C) examinar os sintomáticos respiratórios, proceder à coleta de escarro para baciloscopia, solicitar raio X de tórax e realizar teste anti-HIV em todos os familiares.
  4. D) avaliar se as crianças que residem na casa foram vacinadas com BCG e, caso não tenham sido, vacinar e fazer profilaxia com zidovudina solução oral.

Pérola Clínica

Contato de TB pulmonar ativa → Rastrear ILTB em assintomáticos e TB ativa em sintomáticos (baciloscopia + RX).

Resumo-Chave

Em casos de tuberculose pulmonar ativa, especialmente em pacientes com HIV e em contextos de alta transmissibilidade, a investigação de contatos é crucial. Deve-se diferenciar entre infecção latente (assintomáticos) e doença ativa (sintomáticos respiratórios) para instituir a profilaxia ou o tratamento adequado e quebrar a cadeia de transmissão.

Contexto Educacional

A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium tuberculosis, com alta prevalência no Brasil, especialmente em populações vulneráveis e coinfecção por HIV. A investigação de contatos é uma estratégia fundamental de controle da doença, visando identificar precocemente novos casos e infecções latentes para tratamento e profilaxia, respectivamente, e assim reduzir a cadeia de transmissão. A fisiopatologia da TB envolve a inalação de bacilos, que podem levar à infecção latente (ILTB) ou à doença ativa. Em pacientes com HIV, o risco de progressão da ILTB para doença ativa é significativamente maior devido à imunossupressão. O diagnóstico da ILTB em contatos assintomáticos é feito por Teste Tuberculínico (PPD) ou IGRA, enquanto a TB ativa é confirmada em sintomáticos respiratórios através de baciloscopia de escarro e cultura, além de exames de imagem como o raio X de tórax. O tratamento da TB ativa é padronizado com esquema RIPE (Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida, Etambutol). A profilaxia da ILTB é realizada com Isoniazida ou esquemas mais curtos, especialmente em contatos de alto risco como crianças e imunocomprometidos. O acompanhamento regular e o tratamento diretamente observado (TDO) são essenciais para garantir a adesão e o sucesso terapêutico, prevenindo o surgimento de resistências.

Perguntas Frequentes

Quais são os passos essenciais na investigação de contatos de tuberculose pulmonar?

Os passos essenciais incluem a identificação de todos os contatos domiciliares e próximos, a avaliação clínica para sintomas respiratórios e a realização de exames como baciloscopia de escarro e raio X de tórax para sintomáticos.

Como diferenciar a infecção latente por tuberculose (ILTB) da tuberculose ativa nos contatos?

A ILTB é diagnosticada em contatos assintomáticos, geralmente por PPD ou IGRA, indicando infecção sem doença. A tuberculose ativa é confirmada em sintomáticos respiratórios com exames como baciloscopia positiva ou alterações radiológicas compatíveis.

Qual a importância da investigação de contatos em pacientes com HIV e tuberculose?

Pacientes com HIV têm maior risco de desenvolver tuberculose ativa e de transmiti-la. A investigação de contatos é crucial para identificar precocemente novos casos e infecções latentes, permitindo tratamento e profilaxia e interrompendo a cadeia de transmissão.

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