FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026
Uma mulher de 29 anos de idade migrou da Bolívia para o Brasil há três anos. A jornada de trabalho era de 10 horas por dia, em um local fechado, com uma folga semanal. Recentemente, uma colega do trabalho iniciou tratamento para tuberculose pulmonar e, para isso, procurou atendimento na unidade básica de saúde, porque estava preocupada com a possibilidade de contrair a doença. Ela apresentava bom quadro de saúde, não relatou doenças crônicas e, no momento, estava assintomática, sem tosse e com peso estável.
Contato de TB pulmonar → Exame clínico + Rx Tórax + PPD/IGRA para excluir doença ativa ou latente.
A investigação de contatos de tuberculose pulmonar bacilífera é mandatória e envolve a exclusão de doença ativa (clínica + imagem) e a detecção de infecção latente (PPD/IGRA).
A investigação de contatos é uma das estratégias pilares do Programa Nacional de Controle da Tuberculose. O objetivo é duplo: identificar casos de doença ativa precocemente e detectar indivíduos com Infecção Latente por Tuberculose (ILTB) que se beneficiariam do tratamento preventivo (quimioprofilaxia). Para todo contato, a conduta inicial inclui anamnese detalhada e exame físico. Mesmo em assintomáticos, a radiografia de tórax é essencial para excluir formas subclínicas da doença. A Prova Tuberculínica (PPD) ou o IGRA (Interferon-Gamma Release Assay) são utilizados para identificar a resposta imune ao bacilo. Em populações vulneráveis, como imigrantes em condições de trabalho precárias, a vigilância deve ser ainda mais rigorosa devido ao risco aumentado de transmissão em ambientes confinados.
A Tuberculose Doença ocorre quando o Mycobacterium tuberculosis está ativo e se multiplicando, causando sintomas (tosse, febre, perda de peso) e alterações radiológicas; é transmissível se for pulmonar ou laríngea. A Infecção Latente (ILTB) ocorre quando o indivíduo está infectado, mas o sistema imune mantém o bacilo sob controle; o paciente é assintomático, tem Rx de tórax normal e não transmite a doença, mas possui risco de reativação futura.
Considera-se contato qualquer pessoa que conviva no mesmo ambiente (domiciliar, ocupacional ou institucional) com um caso de tuberculose pulmonar ou laríngea ativa. A prioridade de investigação é para contatos de casos bacilíferos (baciloscopia ou teste rápido molecular positivo), especialmente em ambientes fechados e com longa exposição horária, como no caso descrito.
No Brasil, para contatos de tuberculose, um PPD ≥ 5 mm é geralmente considerado positivo (reator), indicando infecção pelo M. tuberculosis. Se o Rx de tórax for normal e o paciente estiver assintomático, diagnostica-se ILTB. Se o PPD inicial for < 5 mm, deve-se repetir o exame em 8 a 12 semanas (conversão tuberculínica) para descartar infecção recente que ainda não gerou resposta imune celular detectável.
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