Inversão Uterina Aguda: Manejo e Operação de Huntington

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 40 anos de idade, gesta=06, para=05, partos anteriores por via vaginal, é internada na 38ª semana de gestação, em trabalho de parto. Após a expulsão fetal, evolui com intensa dor abdominal, fuga da matriz, tenesmo retal e vesical, hemorragia intensa por via vaginal e choque hipovolêmico. Foi feito o diagnóstico de inversão uterina aguda, a qual não foi responsiva à manobra da Taxe. De acordo com esses dados, assinale a alternativa que contém a conduta imediata.

Alternativas

  1. A) Sutura de B-Lynch.
  2. B) Operação de Huntington.
  3. C) Histerectomia por via vaginal.
  4. D) Compressão bimanual do útero.

Pérola Clínica

Inversão uterina aguda não responsiva à manobra de Taxe → indicação de laparotomia para reposição cirúrgica (Operação de Huntington).

Resumo-Chave

A inversão uterina aguda é uma emergência obstétrica grave que causa hemorragia e choque. Após a tentativa de reposição manual (manobra de Taxe), se falhar, a abordagem cirúrgica via laparotomia (Operação de Huntington ou Haultain) é a conduta imediata para reverter a inversão e controlar o sangramento.

Contexto Educacional

A inversão uterina aguda é uma complicação obstétrica rara, mas potencialmente fatal, caracterizada pela inversão do fundo uterino através do colo, podendo exteriorizar-se pela vagina. Sua incidência é baixa, mas a gravidade reside na hemorragia maciça e no choque hipovolêmico que rapidamente se instalam. É mais comum em multíparas e pode ser precipitada por tração excessiva do cordão umbilical ou pressão fúndica inadequada durante o terceiro estágio do trabalho de parto. A fisiopatologia envolve a perda do tônus uterino e a tração do fundo, levando à sua inversão. Os sintomas incluem dor abdominal súbita e intensa, hemorragia vaginal profusa, sinais de choque hipovolêmico (hipotensão, taquicardia) e tenesmo retal e vesical. O diagnóstico é clínico, pela palpação ou visualização do fundo uterino invertido. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente com hemorragia pós-parto e dor abdominal intensa. O tratamento é uma emergência. A primeira medida é a reposição manual do útero (manobra de Taxe ou Johnson), sob analgesia e tocolíticos. Se a reposição manual falhar, a intervenção cirúrgica via laparotomia é imperativa. A Operação de Huntington, que envolve a tração do fundo uterino com pinças através de uma laparotomia, é uma das técnicas utilizadas para reposicionar o útero. O manejo do choque hipovolêmico com reposição volêmica e transfusão sanguínea é concomitante e crucial para a sobrevida materna.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da inversão uterina aguda?

Os sinais incluem dor abdominal intensa, hemorragia vaginal profusa, choque hipovolêmico, e a palpação de uma massa no canal vaginal ou a visualização do fundo uterino invertido. Tenesmo retal e vesical também são comuns.

Quando a manobra de Taxe é indicada para inversão uterina?

A manobra de Taxe é a primeira tentativa de tratamento para a inversão uterina aguda, sendo uma reposição manual do útero. Deve ser realizada o mais rapidamente possível, sob analgesia e relaxamento uterino.

Qual a diferença entre a Operação de Huntington e a de Haultain?

Ambas são técnicas cirúrgicas para reposição uterina em casos de inversão não responsiva à manobra manual. A Operação de Huntington envolve tração do fundo uterino com pinças, enquanto a de Haultain realiza uma incisão longitudinal no anel de constrição para facilitar a reposição.

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