MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Uma mulher de 29 anos, fenotipicamente normal, procura aconselhamento genético após o nascimento de um filho com múltiplas malformações congênitas, incluindo cardiopatia complexa e atraso global do desenvolvimento. O cariótipo da criança revelou uma alteração estrutural desequilibrada: 46,XY,rec(8)dup(8p)inv(8)(p23q22). O cariótipo da mãe é identificado como 46,XX,inv(8)(p23q22), uma inversão que envolve as regiões p23 e q22. Durante a prófase I da meiose materna, para que ocorra o pareamento dos homólogos, é necessária a formação de uma alça de inversão. Considerando a localização dos pontos de quebra e o comportamento meiótico dessa alteração, qual o mecanismo citogenético que explica a ocorrência de prole viva com desequilíbrio cromossômico nesse caso específico?
Inversões pericêntricas grandes (com pontos de quebra distantes do centrômero) têm maior risco de produzir prole viva com malformações, pois a probabilidade de crossing-over na alça é maior e os segmentos duplicados/deletados são menores, aumentando a viabilidade fetal.
Inversões cromossômicas são rearranjos estruturais onde um segmento do cromossomo é invertido 180 graus. Nas inversões pericêntricas, os pontos de quebra ocorrem em braços diferentes, incluindo o centrômero. Indivíduos portadores são geralmente normais, mas correm risco reprodutivo devido ao pareamento meiótico complexo. Durante a prófase I, a formação da alça de inversão permite o pareamento dos homólogos. Se ocorrer crossing-over dentro dessa alça, são gerados cromossomos recombinantes que possuem simultaneamente uma duplicação de um braço e uma deleção do outro. Esses gametas desequilibrados, por serem monocêntricos, podem completar a meiose e resultar em conceptos com anomalias congênitas graves, como observado no caso do cromossomo 8.
A inversão pericêntrica altera a posição do centrômero e pode mudar a morfologia do cromossomo (ex: de submetacêntrico para metocêntrico). A paracêntrica não altera a posição do centrômero nem a razão entre os braços.
Porque não há perda nem ganho de material genético, apenas uma mudança na ordem dos genes. O problema ocorre apenas na formação dos gametas (meiose).
A viabilidade depende do tamanho e do conteúdo gênico dos segmentos duplicados e deletados; quanto menores os segmentos em desequilíbrio, maior a chance de sobrevivência pós-natal.
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