UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Menino de 11 meses apresenta dor abdominal intermitente há 1 dia. Mãe relata que o filho apresenta momentos com muita dor, que duram alguns minutos e, em seguida, fica quieto e pálido. Hoje apresentou episódios de vômitos, inicialmente com conteúdo alimentar e, posteriormente, esverdeado. Não evacua há 2 dias. Exame físico: REG, descorado +/4, desidratado ++/4, FC: 140 bpm. Abdome distendido, com ruídos hidroaéreos diminuídos, doloroso à palpação profunda, com massa móvel palpável em hipocôndrio direito e fossa ilíaca direita “vazia”, sem sinais de irritação peritoneal.A principal hipótese diagnóstica para esse caso é:
Lactente com dor abdominal intermitente + vômitos biliares + massa palpável + fossa ilíaca vazia → Invaginação intestinal.
A invaginação intestinal é uma causa comum de obstrução intestinal em lactentes, caracterizada pela invaginação de um segmento do intestino em outro. A dor abdominal intermitente, vômitos biliares e a tríade clássica (dor, massa, fezes em geleia de framboesa, embora nem sempre presente) são cruciais para o diagnóstico.
A invaginação intestinal, ou intussuscepção, é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes e crianças jovens, geralmente entre 3 meses e 3 anos de idade. É uma condição de emergência pediátrica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para evitar complicações graves como necrose intestinal e perfuração. A etiologia é frequentemente idiopática, mas pode estar associada a pontos de partida patológicos em crianças mais velhas. A fisiopatologia envolve a telescopagem de um segmento intestinal em outro, levando à obstrução e comprometimento vascular. Os sinais clássicos incluem dor abdominal paroxística, vômitos (que podem se tornar biliares), palidez e letargia. Ao exame físico, a presença de uma massa palpável em hipocôndrio direito e a fossa ilíaca direita "vazia" (sinal de Dance) são achados importantes. O ultrassom abdominal é o método de imagem de escolha para o diagnóstico, revelando o sinal do "alvo" ou "pseudorrim". O tratamento da invaginação intestinal, na ausência de peritonite ou perfuração, é a redução não cirúrgica por enema (hidrostático com soro fisiológico ou pneumático com ar). Se a redução não for bem-sucedida ou houver sinais de complicação, a cirurgia é indicada. O prognóstico é geralmente bom com diagnóstico e tratamento precoces, mas o atraso pode levar a morbidade e mortalidade significativas.
Os principais sinais incluem dor abdominal intermitente e intensa, vômitos (inicialmente alimentares, depois biliares), palidez, letargia e, em casos mais avançados, fezes com sangue e muco ("geleia de framboesa").
Ao exame físico, pode-se palpar uma massa em forma de salsicha no hipocôndrio direito e a fossa ilíaca direita pode estar "vazia" (sinal de Dance), indicando a migração do ceco.
O diagnóstico é frequentemente clínico e confirmado por ultrassonografia abdominal. O tratamento inicial é a redução não cirúrgica (hidrostática ou pneumática) sob fluoroscopia, se não houver sinais de peritonite ou perfuração.
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