IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2022
Paciente masculino, 8 anos de idade, sem antecedentes mórbidos. Há cerca de 30 horas vem apresentando dor abdominal em cólica, acompanhada de náuseas e vômitos de conteúdo alimentar. Nega febre, tosse ou disúria. Há 2 horas apresenta evacuação mucossanguinolenta. Ao exame, o abdome encontra-se distendido e há uma massa móvel palpável em fossa ilíaca direita. Hemograma com leucopenia discreta. Coagulograma normal. Desidrogenase láctica (DHL) de 1015 U/L. A radiografia simples de abdome evidencia distensão difusa de delgado. O diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada são:
Criança com dor abdominal em cólica, vômitos, fezes mucossanguinolentas ("geleia de framboesa") e massa palpável → Invaginação intestinal.
A invaginação intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em crianças < 3 anos. A tríade clássica (dor abdominal, vômitos, fezes em geleia de framboesa) nem sempre está presente. A massa palpável e DHL elevada são achados importantes. A redução hidrostática guiada por USG é a conduta inicial, mas falha ou sinais de complicação indicam cirurgia.
A invaginação intestinal é a principal causa de obstrução intestinal em crianças entre 3 meses e 3 anos de idade, caracterizada pela telescopagem de um segmento intestinal em outro adjacente. A maioria dos casos é idiopática, mas pode ser secundária a um ponto de partida (ex: divertículo de Meckel, pólipo) em crianças mais velhas. A isquemia e necrose intestinal são complicações graves se não tratada. O quadro clínico típico inclui dor abdominal súbita e intermitente em cólica, vômitos (inicialmente alimentar, depois bilioso) e evacuações mucossanguinolentas, descritas como "geleia de framboesa". Ao exame físico, pode-se palpar uma massa em forma de "salsicha" no abdome, frequentemente na fossa ilíaca direita. A desidrogenase láctica (DHL) pode estar elevada devido à isquemia intestinal. A radiografia simples pode mostrar distensão de alças, mas a ultrassonografia é o exame de escolha para o diagnóstico. A conduta inicial para invaginação intestinal não complicada é a redução hidrostática (com ar ou soro fisiológico) guiada por ultrassonografia ou fluoroscopia. Este procedimento é eficaz na maioria dos casos. No entanto, se houver sinais de peritonite, perfuração intestinal, instabilidade hemodinâmica ou falha na redução hidrostática, a laparotomia exploradora é indicada para desinvaginação manual ou ressecção do segmento intestinal invaginado e necrótico.
Os sintomas clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente em cólica, vômitos (inicialmente alimentar, depois bilioso) e fezes com muco e sangue, descritas como "geleia de framboesa". Pode haver uma massa palpável no abdome.
A ultrassonografia é o método diagnóstico de escolha, mostrando o sinal do "alvo" ou "pseudorrim" e confirmando a invaginação. Também pode guiar a redução hidrostática de forma segura.
A redução hidrostática é contraindicada na presença de sinais de peritonite, perfuração intestinal, choque ou instabilidade hemodinâmica, casos em que a laparotomia exploradora é a conduta imediata e salvadora.
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