Invaginação Intestinal em Lactentes: Diagnóstico e Manejo

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020

Enunciado

Mãe leva seu filho, lactente de 18 meses, à emergência e refere sonolência, vômito várias vezes nas últimas 24 horas, sem história de febre ou diarreia. Em uso de ondansetron. Exame físico: pálido, sonolento, porém despertável, tax = 37°C; FC=130bpm; FR=24irpm; PA=90x 60mmHg; pupilas isocóricas e reativas; ACV e AR sem anormalidades; abdome algo doloroso, levemente distendido, com ruídos hidroaéreos diminuídos. Durante o exame, o paciente apresentou um episódio de vômito bilioso e discreto sangramento retal. Com base nesses dados, a hipótese diagnóstica e a conduta, respectivamente, são:

Alternativas

  1. A) Estenose hipertrófica do piloro/ultrassom de abdome
  2. B) Invaginação intestinal/toque retal e ultrassom de abdome
  3. C) Sepse / hemocultura e antibioticoterapia de largo espectro
  4. D) Meningite / punção lombar e ceftriaxone IV
  5. E) Intoxicação por ondansetron/lavagem gástrica e prometazina IM.

Pérola Clínica

Lactente + dor abdominal intermitente + vômito bilioso + sangramento retal → Invaginação intestinal.

Resumo-Chave

A invaginação intestinal é uma emergência cirúrgica pediátrica, mais comum em lactentes, caracterizada pela intussuscepção de um segmento intestinal em outro. Os sintomas clássicos incluem dor abdominal em cólica, vômitos (inicialmente alimentares, depois biliosos) e sangramento retal (geleia de framboesa). O diagnóstico precoce e a intervenção são cruciais para evitar complicações.

Contexto Educacional

A invaginação intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes e crianças pequenas, geralmente ocorrendo entre 3 meses e 3 anos de idade. A etiologia é frequentemente idiopática, mas pode estar associada a pontos de partida como divertículo de Meckel, pólipos ou linfonodos hiperplásicos. A apresentação clínica é variável, mas a tríade de dor abdominal em cólica, vômitos e sangramento retal é altamente sugestiva. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso da redução não cirúrgica e para prevenir complicações graves como isquemia, necrose e perfuração intestinal. O ultrassom abdominal é a ferramenta diagnóstica de eleição, e a redução por enema é o tratamento de primeira linha em casos sem complicações, reservando a cirurgia para falha ou contraindicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da invaginação intestinal em lactentes?

Os sinais e sintomas clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente (cólica), choro intenso, vômitos (inicialmente alimentares, progredindo para biliosos), palidez, letargia e, caracteristicamente, fezes com sangue e muco (aspecto de geleia de framboesa). Pode-se palpar uma massa em salsicha no abdome.

Qual é o papel do toque retal e do ultrassom no diagnóstico da invaginação intestinal?

O toque retal pode revelar sangue e muco, confirmando o sangramento intestinal. O ultrassom de abdome é o exame de escolha para o diagnóstico, mostrando o sinal do alvo ou pseudorrim, que é a imagem característica da invaginação. É um método não invasivo e altamente sensível e específico.

Qual a conduta inicial após o diagnóstico de invaginação intestinal?

Após o diagnóstico, a conduta inicial envolve estabilização do paciente (hidratação venosa, correção de distúrbios hidroeletrolíticos) e, se não houver sinais de peritonite ou perfuração, a tentativa de redução não cirúrgica por enema (hidrostático ou pneumático) guiado por ultrassom ou fluoroscopia. Em caso de falha ou contraindicações, a cirurgia é indicada.

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