INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um lactente de 9 meses é levado à emergência de um hospital público municipal para avaliação de dor abdominal aguda. A mãe refere que a criança começou a apresentar os sintomas há cerca de 12 horas e que a dor ocorre de forma intensa seguida por períodos de acalmia e subsequente piora. Ela também diz que reparou que a fralda da criança estava com fezes entremeadas de sangue e muco. Ao exame clínico, a criança se apresentava irritada, desidratada (+2/+4) e hipocorada (+2/+4); as auscultas cardíaca e respiratória não apresentavam anormalidades; e percebeu-se o abdome distendido, sem visceromegalias, com peristalse aumentada.A principal hipótese diagnóstica e a condição clínica geralmente associada são, respectivamente,
Lactente com dor abdominal intermitente + fezes em geleia de framboesa → invaginação intestinal, frequentemente pós-infecção viral.
A invaginação intestinal é uma causa comum de abdome agudo obstrutivo em lactentes, caracterizada pela intussuscepção de um segmento intestinal em outro. A dor abdominal intermitente e as fezes com sangue e muco são sinais clássicos, e infecções virais prévias são um fator predisponente comum.
A invaginação intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes e crianças jovens, com pico de incidência entre 5 e 9 meses de idade. É uma condição grave que exige diagnóstico e tratamento rápidos para evitar complicações como isquemia, perfuração intestinal e peritonite, que aumentam significativamente a morbidade e mortalidade. A apresentação clínica clássica, embora nem sempre completa, é crucial para a suspeita diagnóstica. A fisiopatologia envolve a intussuscepção de um segmento intestinal (intussuscepto) em outro adjacente (intussuscipiens), geralmente no íleo-cólon. Em 90% dos casos pediátricos, é idiopática, mas frequentemente associada a hiperplasia de placas de Peyer após infecções virais (adenovírus, rotavírus) ou bacterianas, que atuam como ponto de partida. O diagnóstico é clínico, com a tríade de dor abdominal intermitente, vômitos e fezes em geleia de framboesa, e confirmado por ultrassonografia abdominal, que revela o sinal do "alvo" ou "pseudorrim". O tratamento inicial consiste na redução não cirúrgica por enema (hidrostático com soro fisiológico ou pneumático com ar) sob fluoroscopia, com altas taxas de sucesso se realizado precocemente. A cirurgia é indicada em casos de falha da redução não cirúrgica, sinais de perfuração intestinal, peritonite ou instabilidade hemodinâmica. O prognóstico é excelente com diagnóstico e tratamento oportunos, mas atrasos podem levar a complicações graves e necessidade de ressecção intestinal.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente, choro intenso, irritabilidade, vômitos e, posteriormente, eliminação de fezes com sangue e muco, descritas como "geleia de framboesa".
A causa mais comum de invaginação intestinal em crianças é idiopática, mas frequentemente está associada a infecções virais de vias aéreas ou gastroenterites, que podem causar hiperplasia dos linfonodos de Peyer, atuando como ponto de partida.
A conduta inicial envolve estabilização hemodinâmica do paciente e confirmação diagnóstica, geralmente por ultrassonografia abdominal. O tratamento pode ser hidrostático ou pneumático (enema) sob fluoroscopia, ou cirúrgico em casos de falha do tratamento conservador ou sinais de complicação.
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