UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Lactente, 18m, é levado pelos pais ao Pronto Socorro devido a episódios recorrentes de choro acompanhados de vômitos amarelados, com flexão das pernas em direção do abdome quando deitada, com período de acalmia. Exame físico: T= 36,7oC, FC= 125 bpm, FR= 32 irpm, mucosas úmidas, corada; Abdome: plano, normotenso, massa palpável em hipocôndrio direito e presença de depressão em fossa ilíaca direita. Ultrassonografia do abdome= presença do sinal do alvo e do “Pseudo-rim”. A CONDUTA É:
Lactente com dor abdominal intermitente, vômitos biliares, massa palpável e USG "alvo" → invaginação intestinal → enema opaco.
O quadro clínico de dor abdominal intermitente, vômitos biliares, massa palpável e sinais ultrassonográficos como "sinal do alvo" e "pseudo-rim" são altamente sugestivos de invaginação intestinal em lactentes. O enema opaco é a conduta inicial de escolha, tanto para diagnóstico quanto para tentativa de redução não cirúrgica.
A invaginação intestinal, ou intussuscepção, é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes e crianças pequenas, geralmente entre 3 meses e 3 anos de idade. Caracteriza-se pela telescopagem de um segmento intestinal em outro adjacente, levando a isquemia e necrose se não tratada. É uma emergência pediátrica que exige reconhecimento e intervenção rápidos para evitar complicações graves. A fisiopatologia envolve a invaginação do íleo terminal no cólon (ileocólica é a mais comum), resultando em obstrução e comprometimento vascular. O diagnóstico é clínico, com a tríade clássica de dor abdominal intermitente, vômitos e fezes em geleia de framboesa, embora nem sempre completa. A ultrassonografia abdominal é o método diagnóstico de escolha, revelando o "sinal do alvo" ou "pseudo-rim". A conduta inicial para invaginação intestinal sem sinais de peritonite ou perfuração é a redução não cirúrgica, preferencialmente por enema hidrostático (com soro fisiológico ou ar) guiado por ultrassom ou fluoroscopia (enema opaco). O tratamento precoce é crucial para o prognóstico, pois a demora aumenta o risco de isquemia, perfuração e necessidade de ressecção cirúrgica.
Os sinais clássicos incluem dor abdominal súbita e intermitente (choro intenso com períodos de acalmia), vômitos (inicialmente alimentares, depois biliares), fezes em geleia de framboesa (nem sempre presente) e massa palpável em abdome.
O sinal do alvo (ou "donut sign") e o pseudo-rim são achados ultrassonográficos patognomônicos da invaginação, representando as camadas concêntricas do intestino invaginado, confirmando o diagnóstico.
O enema opaco é contraindicado em casos de peritonite, perfuração intestinal, choque grave ou sinais de isquemia intestinal avançada, situações que exigem intervenção cirúrgica imediata.
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