PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026
Lactente eutrófico com 4 meses e 15 dias, após 2 semanas de atendimento na UBS para atualização do calendário vacinal, é trazido à emergência com história de recusa da mamadeira, distensão abdominal, vômitos e diminuição na frequência das evacuações há 36h. Nega febre, alterações urinárias ou respiratórias. As fezes apresentam muco e sangue com consistência amolecida. Ao exame clínico, apresentava-se em regular estado geral, mucosas secas, choroso, com defesa à palpação abdominal. Aparelho cardiovascular e respiratório sem alterações. Abd.: distendido, com aumento de peristaltismo, massa abdominal palpável em flanco direito. Toque retal: presença de muco com sangue. O diagnóstico provável é:
Lactente + Dor abdominal paroxística + Massa palpável + Fezes em 'geleia de morango' = Invaginação Intestinal.
A invaginação intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal entre 6 e 36 meses, frequentemente precedida por infecções virais.
A invaginação intestinal é uma emergência cirúrgica pediátrica clássica. O quadro clínico de choro súbito e intermitente (cólica) em um lactente previamente hígido deve sempre levantar a suspeita. O exame físico pode revelar a 'massa em salsicha' e o sinal de Dance (vazio na fossa ilíaca direita). A evolução para fezes com muco e sangue (geleia de morango) indica sofrimento de alça. O reconhecimento precoce e a redução rápida são fundamentais para evitar a ressecção intestinal e suas complicações.
A invaginação intestinal ocorre quando um segmento do intestino (intussusceptum) desliza para dentro do segmento distal adjacente (intussuscipiens). Na maioria dos casos em lactentes (idiopática), acredita-se que a hipertrofia das placas de Peyer no íleo terminal, frequentemente após uma infecção viral respiratória ou gastrointestinal, atue como o 'ponto de partida' (lead point) para o peristaltismo tracionar o segmento. Isso leva a edema, obstrução venosa e, se não tratado, isquemia arterial, necrose e perfuração. A localização ileocolônica é a mais frequente, justificando a massa palpável no flanco direito ou hipocôndrio.
A ultrassonografia abdominal é o padrão-ouro para o diagnóstico, apresentando sensibilidade e especificidade próximas a 100% em mãos experientes. Os achados clássicos incluem o 'sinal do alvo' ou 'sinal da rosquinha' em cortes transversais (representando as camadas concêntricas do intestino) e o 'sinal do pseudorrim' em cortes longitudinais. Além de confirmar o diagnóstico, o USG pode identificar pontos de partida patológicos (como divertículo de Meckel ou pólipos) e sinais de complicação, como líquido livre ou ausência de fluxo ao Doppler, que sugerem isquemia.
O tratamento inicial para pacientes estáveis e sem sinais de perfuração ou peritonite é a redução não cirúrgica, que pode ser hidrostática (com bário ou soro) ou pneumática (com ar), guiada por radioscopia ou ultrassom. A taxa de sucesso é alta (80-90%). A cirurgia está indicada em casos de falha na redução conservadora, evidência de peritonite, choque refratário, pneumoperitônio (perfuração) ou quando há um ponto de partida patológico identificado. Durante a cirurgia, tenta-se a redução manual (manobra de Hutchinson); se houver necrose, a ressecção segmentar com anastomose primária é necessária.
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