UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
Menino de 9 meses apresenta dor abdominal intermitente há 1 dia. Mãe relata que ele apresenta momentos com muita dor, que duram alguns minutos e, em seguida, fica quieto e pálido. Hoje apresentou 4 episódios de vômitos: os dois primeiros com conteúdo alimentar; e os 2 mais recentes esverdeados. Não evacua há 2 dias. Exame físico: REG, calmo, descorado +/4, desidratado +/4, FC 140 bpm. Abdome distendido, RHA diminuído, doloroso à palpação, com massa móvel palpável em hipocôndrio direito, e fossa ilíaca direita “vazia”.A principal hipótese diagnóstica é
Lactente com dor abdominal intermitente, vômitos biliares, massa em hipocôndrio D e FID "vazia" (sinal de Dance) → Invaginação intestinal.
A invaginação intestinal é uma causa comum de obstrução intestinal em lactentes, manifestando-se com dor abdominal súbita e intermitente, vômitos (podendo ser biliares) e, em casos avançados, fezes em geleia de framboesa. A tríade clássica inclui dor, massa palpável e fezes sanguinolentas, mas a "fossa ilíaca direita vazia" (sinal de Dance) é um achado físico importante.
A invaginação intestinal é a causa mais comum de obstrução intestinal em crianças entre 3 meses e 3 anos de idade, com pico de incidência entre 5 e 9 meses. Caracteriza-se pela telescopagem de um segmento intestinal para dentro de outro adjacente, geralmente o íleo terminal para o cólon (ileocólica). A etiologia é frequentemente idiopática, mas pode estar associada a linfadenite mesentérica pós-viral ou, mais raramente, a um ponto de partida patológico (ex: divertículo de Meckel, pólipo). O quadro clínico típico envolve dor abdominal súbita, intensa e intermitente, que faz a criança flexionar as pernas sobre o abdome. Entre os episódios de dor, a criança pode parecer letárgica ou pálida. Vômitos são comuns e podem se tornar biliares. A presença de fezes em "geleia de framboesa" (sangue e muco) é um sinal tardio, indicando isquemia da mucosa. Ao exame físico, pode-se palpar uma massa em forma de salsicha no hipocôndrio direito e observar a fossa ilíaca direita "vazia" (sinal de Dance). O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que revela o "sinal do alvo" ou "pseudorrim". O tratamento inicial é a redução não cirúrgica, geralmente por enema hidrostático (soro fisiológico) ou pneumático (ar), guiado por ultrassom ou fluoroscopia. A cirurgia é indicada em casos de falha da redução não cirúrgica, sinais de peritonite, perfuração intestinal ou invaginação recorrente com ponto de partida patológico. O reconhecimento precoce e a intervenção são cruciais para evitar complicações como necrose intestinal e perfuração.
Os sintomas incluem dor abdominal súbita e intermitente (paroxística), vômitos (inicialmente alimentares, depois biliares), irritabilidade, letargia e, tardiamente, fezes com sangue e muco ("geleia de framboesa").
O sinal de Dance é a ausência de conteúdo palpável na fossa ilíaca direita, indicando que o ceco se invaginou para outro local. É um achado importante no exame físico que sugere invaginação intestinal.
O diagnóstico é confirmado por ultrassonografia abdominal, que mostra o "sinal do alvo" ou "pseudorrim". O tratamento inicial é a redução hidrostática ou pneumática guiada por imagem; falha ou sinais de peritonite indicam cirurgia.
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