UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Lactente de 6 meses, previamente hígido, há 12 horas com crises intermitentes de choro. Mãe refere que apresentou nesse período apenas uma evacuação de muco, em pequena quantidade. EF: BEG, hidratado, abdome com massa móvel palpável em fossa ilíaca direita. US abdominal: presença do sinal do alvo. A conduta é:
Tríade clássica + Sinal do alvo → Redução por enema (ar ou líquido) se paciente estável.
A intussuscepção é a causa mais comum de obstrução intestinal em lactentes; o tratamento inicial de escolha é a redução não cirúrgica por enema.
A invaginação intestinal (ou intussuscepção) ocorre quando um segmento do intestino desliza para dentro do segmento distal adjacente. É mais comum entre os 3 meses e os 3 anos de idade. A apresentação clássica inclui dor abdominal paroxística, massa em 'salsicha' palpável e fezes em 'geleia de morango' (muco e sangue), embora a tríade completa nem sempre esteja presente. O diagnóstico padrão-ouro inicial é a ultrassonografia, que possui alta sensibilidade e especificidade. Uma vez confirmado e descartada a perfuração, a redução hidrostática ou pneumática sob visão fluoroscópica ou ultrassonográfica é o tratamento definitivo na maioria dos casos, evitando os riscos de uma laparotomia.
As principais contraindicações são evidências clínicas ou radiológicas de perfuração intestinal (pneumoperitônio), peritonite franca (abdome em tábua, sinais de irritação peritoneal) ou instabilidade hemodinâmica grave (choque séptico ou hipovolêmico refratário). Nesses casos, a exploração cirúrgica imediata é mandatória.
O sinal do alvo (ou sinal da rosquinha) é o achado ultrassonográfico patognomônico da intussuscepção no corte transversal. Ele representa as camadas da alça intestinal invaginada (intussusceptum) dentro da alça receptora (intussuscipiens), aparecendo como anéis concêntricos de diferentes ecogenicidades.
A redução por enema (seja pneumático ou hidrostático) apresenta taxas de sucesso superiores a 80-90% quando realizada precocemente. O enema de ar é frequentemente preferido por ser mais rápido, limpo e ter menor risco de peritonite química em caso de perfuração inadvertida.
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