UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Menino, 5 meses, é levado ao Setor de Emergência com quadro, há 48 horas, de vômitos persistentes e 3 evacuações líquido-pastosas (a última com sangue e muco). Não teve febre, mas está irritado e choroso. Recusa alimentação. Há uma semana, tomou as vacinas do Calendário Vacinal referentes aos 4 meses, porque, no posto de saúde, se orientou o adiamento das vacinas devido a um resfriado que ele teve no mês passado. Exame físico: hipoativo; pálido; taquicárdico; taquipneico; desidratado; abdome doloroso difusamente à palpação e com a presença de massa tubular mal delimitada no quadrante superior direito. A principal hipótese diagnóstica é:
Lactente + Crises de choro + Massa palpável + Fezes com sangue/muco = Invaginação Intestinal.
A invaginação intestinal é a causa mais comum de obstrução em lactentes; a associação temporal com a vacina de rotavírus é um fator de risco conhecido.
A invaginação intestinal ocorre quando um segmento do intestino (intussusceptum) desliza para dentro do segmento distal (intussuscipiens). Isso causa obstrução linfática e venosa, levando a edema da parede, isquemia e produção de muco sanguinolento. A maioria dos casos em lactentes é idiopática, frequentemente precedida por infecções virais que causam hiperplasia das placas de Peyer, servindo como ponto de partida para a invaginação. O tratamento inicial pode ser feito com enemas (salino, baritado ou aéreo) sob visão radiológica ou ultrassonográfica, desde que não haja sinais de perfuração ou peritonite.
A tríade clássica consiste em dor abdominal paroxística (crises de choro e encolhimento de pernas), massa abdominal palpável (frequentemente em forma de salsicha no quadrante superior direito) e fezes em 'geleia de morango' (muco com sangue).
A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha, apresentando alta sensibilidade e especificidade. Os achados característicos são o 'sinal do alvo' ou 'sinal da rosquinha' em cortes transversais e o 'sinal do pseudorrim' em cortes longitudinais.
Existe um risco pequeno, mas documentado, de invaginação intestinal após a administração da vacina contra rotavírus, especialmente nos primeiros 7 a 21 dias após a primeira ou segunda dose. Por isso, o adiamento excessivo das doses não é recomendado.
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