Invaginação Intestinal: Diagnóstico por Imagem e Sinais

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Criança do sexo masculino, com 7 meses de idade, começou a apresentar crises de choro injustificado intercaladas com períodos de acalmia. Tem leve distensão abdominal, principalmente em quadrante superior direito, e vômitos de conteúdo alimentar há cerca de dois dias. Hoje pela manhã, a mãe notou fezes contendo substância gelatinosa e de cor róseo-avermelhada, o que a motivou a procurar serviço de Pronto Atendimento. Ao exame, a criança se apresenta inquieta e chorosa, os ruídos abdominais estão presentes, levemente aumentados e com timbre metálico. Na palpação abdominal evidencia-se uma tumoração fusiforme em hipocôndrio direito, sem sinais de irritação peritonial. Com base nessas informações, pode-se afirmar que, na investigação por imagem:

Alternativas

  1. A) A presença de sangue nas fezes contraindica o enema baritado.
  2. B) A radiografia simples de abdome deve mostrar uma imagem de dupla bolha.
  3. C) A tomografia computadorizada é superior ao enema baritado no acompanhamento da redução hidrostática.
  4. D) A ultrassonografia de abdome deve mostrar imagens em "alvo" e "pseudo rim" no quadrante superior direito.
  5. E) A ultrassonografia de abdome deve mostrar imagem de espessamento (hipertrofia) da camada muscular do piloro em epigástrio.

Pérola Clínica

Dor abdominal paroxística + Massa palpável + Fezes em 'geleia de morango' → US: Sinal do Alvo.

Resumo-Chave

A invaginação intestinal é a principal causa de obstrução intestinal em lactentes; o ultrassom é o exame padrão-ouro para o diagnóstico inicial.

Contexto Educacional

A invaginação intestinal ocorre quando um segmento proximal do intestino (intussuscepto) se telesfopa para dentro de um segmento distal (intussuscipiente). A localização mais comum é a ileocolônica. Em lactentes (6 a 36 meses), a maioria dos casos é idiopática, possivelmente relacionada à hiperplasia de placas de Peyer após infecções virais (como adenovírus). O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a isquemia intestinal, necrose e perfuração. A palpação de uma massa em forma de 'salsicha' no hipocôndrio direito, associada ao 'vazio' na fossa ilíaca direita (sinal de Dance), reforça a suspeita clínica que deve ser prontamente confirmada pela ultrassonografia.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados ultrassonográficos da invaginação intestinal?

Os achados clássicos na ultrassonografia são o 'sinal do alvo' (ou sinal da rosquinha) em cortes transversais e o 'sinal do pseudo-rim' em cortes longitudinais. O sinal do alvo é formado por anéis concêntricos de diferentes ecogenicidades, representando as camadas das alças intestinais invaginadas (o intussuscepto dentro do intussuscipiente). A ultrassonografia possui sensibilidade e especificidade próximas a 100% nas mãos de examinadores experientes.

O que caracteriza a clínica da intussuscepção?

A clínica clássica envolve um lactente previamente hígido que apresenta crises súbitas de choro inconsolável (dor em cólica), fletindo as pernas sobre o abdome, intercaladas com períodos de letargia ou acalmia. Vômitos inicialmente alimentares tornam-se biliosos. O sinal tardio e patognomônico é a eliminação de fezes com muco e sangue, descritas como 'geleia de morango' ou 'framboesa', devido à isquemia e descamação da mucosa intestinal.

Como é feito o tratamento da invaginação intestinal?

O tratamento inicial para casos sem sinais de peritonite ou perfuração é a redução não cirúrgica, que pode ser hidrostática (com bário ou soro) ou pneumática (com ar), guiada por radioscopia ou ultrassom. Se houver falha na redução, sinais de sofrimento intestinal vascular, peritonite ou se houver uma causa anatômica identificada (ponto de liderança), a laparotomia com redução manual (manobra de Hutchinson) ou enterectomia está indicada.

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